Hamilton Assis se manifesta sobre greve dos Correios e defende valorização da categoria
A greve das trabalhadoras e dos trabalhadores dos Correios, iniciada em 11 de setembro e ainda sem previsão de encerramento, precisa ser compreendida para além dos impactos imediatos nas entregas, afirma o vereador Hamilton Assis (PSOL). Integrante da Bancada do Trabalho Digno e dirigente licenciado da Intersindical, ele afirma que a mobilização também é uma reação ao processo de sucateamento e precarização que atingiu a empresa nos últimos anos.
“Não podemos olhar para a greve apenas pela perspectiva de quem está esperando uma encomenda. Precisamos olhar para quem está dentro dos Correios, trabalhando com quadro reduzido, enfrentando condições cada vez mais difíceis e lutando para preservar direitos. A precarização do trabalho também precariza o serviço público”, afirma o vereador Professor Hamilton.
O parlamentar destaca ainda que os Correios passaram por um processo de redução de investimentos e sucateamento iniciado durante o governo de Jair Bolsonaro. “Com Bolsonaro essas trabalhadoras e trabalhadores sentiram na pele a redução de investimentos em áreas como recursos humanos, logística e plano de saúde, além da retirada de cláusulas do acordo coletivo. O último concurso para os Correios aconteceu há mais de 10 anos”, diz Hamilton Assis.
Para Hamilton, esse cenário demonstra que a crise enfrentada pela estatal não pode ser atribuída aos trabalhadores.
“Se faltam trabalhadores, investimentos, se veículos e estruturas não recebem a manutenção necessária, não é o trabalhador que deve pagar essa conta. O problema precisa ser enfrentado com investimento, recomposição do quadro e valorização de quem trabalha nos Correios”, argumenta.
Falta de investimento
A discussão também envolve a função social desempenhada pela empresa. Os Correios têm presença nacional e realizam atividades que vão além da lógica comercial, com atendimento a municípios e participação em operações consideradas estratégicas, como a distribuição de medicamentos, a logística de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e ações emergenciais em situações de calamidade.
“Os Correios são uma empresa pública estratégica. Quando acontece uma enchente, uma pandemia ou outra emergência, o país precisa de uma estrutura capaz de chegar onde o mercado muitas vezes não chega. Defender os Correios é defender um serviço que tem função social e que pertence ao povo brasileiro”, afirma Hamilton.
O dirigente também manifesta preocupação com possíveis programas de desligamento de trabalhadores. Para Hamilton, uma nova redução do quadro, sem que os problemas estruturais sejam enfrentados, pode aprofundar a crise da estatal.
“Não se combate o sucateamento demitindo trabalhador. Se combate com investimento, concurso público, condições dignas de trabalho e planejamento. A solução para os Correios não pode ser precarizar ainda mais quem já está sobrecarregado”, afirma.
O julgamento do dissídio coletivo da greve está previsto para 21 de setembro, no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Hamilton defende que, até lá, a empresa e os representantes dos trabalhadores mantenham o diálogo.
“O que estamos defendendo é simples: respeito ao direito de greve, negociação e valorização dos trabalhadores. Uma empresa pública forte precisa de trabalhadores valorizados. E um serviço público de qualidade começa por quem está na ponta”, conclui Hamilton.
CÂMARA MUNICIPAL DE SALVADOR
Foto: Visão Cidade



