O resultado da festa será no dia 4 de outubro
Não poderia ser de outra maneira. A Festa do Padroeiro do município de Vera Cruz, depois do seu tradicional momento religioso, transforma-se também em uma grande manifestação popular — e, em período eleitoral, acaba funcionando como um verdadeiro termômetro político.
Seja em eleições municipais, estaduais ou nacionais, a festa reúne pessoas de praticamente todas as comunidades do município e, naturalmente, também atrai candidatos, lideranças políticas, representantes partidários e apoiadores. No dia de ontem, isso ficou bastante evidente.
Abraços, apertos de mão, tapinhas nas costas, conversas ao pé do ouvido e demonstrações públicas de proximidade fizeram parte do cenário. Cada grupo procurando mostrar sua força, cada liderança tentando demonstrar prestígio e cada candidato buscando ser visto e reconhecido pelo eleitor.
Sem dúvida, o recado foi dado. Mas fica uma pergunta: o que exatamente esse recado representa?
Para alguns frequentadores tradicionais da festa, este ano faltou brilho. Houve quem considerasse o evento mais fraco e quem entendesse que o verdadeiro significado da celebração religiosa acabou sendo ofuscado pela movimentação política.
E não é difícil compreender essa percepção. A Festa do Padroeiro possui uma importância histórica, cultural e religiosa muito grande para Vera Cruz. Para muitos moradores, trata-se de um momento de fé, tradição, reencontro e identidade do município. Quando a política ocupa espaço demais, existe o risco de o sentido original da festa ficar em segundo plano.
Para outros, entretanto, o cenário foi justamente o contrário: uma demonstração de força, organização e presença política. Cada grupo enxergou aquilo que desejava enxergar.
E é aí que começa o verdadeiro jogo eleitoral.
Durante a festa, também surgiram comentários sobre a atual conjuntura política, principalmente em relação à disputa pelo Governo da Bahia e à Presidência da República. Entre conversas e avaliações populares, uma percepção chamou atenção: a cor azul aparenta estar predominando no município, enquanto a cor vermelha, segundo alguns observadores, estaria mais tímida e menos presente.
Mas política não se ganha por impressão, fotografia, quantidade de pessoas em uma festa ou demonstração momentânea de força.
A cor azul representa, neste cenário, o candidato ACM Neto. A cor vermelha representa o candidato Jerônimo Rodrigues. Na última eleição para o Governo do Estado, Jerônimo venceu em Vera Cruz por uma diferença apertada em relação ao adversário.
Agora, o cenário é outro.
Há quem diga que, na Ilha de Itaparica — considerando os municípios de Vera Cruz e Itaparica — existe uma tendência favorável ao nome de ACM Neto. Outros, naturalmente, enxergam uma disputa equilibrada e acreditam que a força eleitoral será definida somente no momento em que o eleitor estiver diante da urna.
E talvez seja exatamente aí que esteja a grande lição.
Festa não é eleição. Multidão não é voto. Aperto de mão não é compromisso. E demonstração de força não significa necessariamente vitória.
A política pode produzir muitas imagens, muitos discursos e muitas interpretações. Mas somente o eleitor, diante da urna, transforma intenção em voto.
Por isso, o verdadeiro resultado dessa festa não será conhecido nas conversas, nas fotografias, nas cores das camisas ou na quantidade de lideranças presentes.
O verdadeiro resultado será conhecido no dia 4 de outubro.
Faltam pouco mais de 20 dias para que o eleitor diga, através do voto, quem de fato conseguiu conquistar sua confiança.
Como diziam os mais antigos: “Vamos esperar para ver quem terá farinha no saco.”
No final das contas, como afirmam os especialistas em eleições, muitas vezes vence quem erra menos.
Agora é aguardar.
Dia 4 de outubro está chegando. E, nesse dia, será possível saber quem é quem.
Visão Cidade
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