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País está sob o risco de epidemia de Chikungunya

O bairro George Américo, em Feira de Santana, é dividido em ruas com nomes de letras, organizado em ordem alfabética: A1, B1, C1, D1, E1… Por lá, a febre Chikungunya já tomou conta do alfabeto inteiro. Uma rua, especificamente, está chamando a atenção dos moradores pela quantidade de suspeitas da nova febre: a Rua R1, bem próxima à policlínica do bairro, que anda lotada.
A técnica da Vigilância Epidemiológica de Feira de Santana Maricélia Maia garantiu que a Secretaria Municipal de Saúde deve investigar por que Vaneide recebeu injeções para dor na coluna. “Mas se ela só se queixou de dores na coluna, quem atendeu ia imaginar que era alguma coisa na coluna”, ponderou.
Na rua onde Vaneide mora não possui calçamento e existe um esgoto a céu aberto. Além do matagal no final da rua, também há uma viatura abandonada. “Quando chega a época de dengue, eu tiro do meu bolso para dedetizar”, queixa-se Reginaldo.
Rotina
De acordo com a técnica da Vigilância Epidemiológica de Feira de Santana Maricélia Maia, todos os profissionais de saúde da cidade estão sendo capacitados para tratar a Chikungunya.
“Só na atenção básica, já capacitamos cerca de 250 pessoas. Mas ainda não deu tempo de fazer com todo mundo, porque começamos esta semana. Se tem algum profissional que ainda tem alguma dificuldade, é natural, porque é uma doença nova. Mas estamos dando todas as orientações para diagnosticar e tratar”, disse.
No George Américo, gente se queixando dos sintomas da doença aparece cada vez com mais frequência. “Os pacientes chegam reclamando de febre, dor nas articulações, inchaço. Os médicos continuam anotando os casos e encaminhando para exames”, disse a assistente administrativa da Policlínica do George Américo Inês de Souza. 
Medicação equivocada pode agravar a doença
Se você desconfia que está com Chikungunya ou dengue, fuja de antiobióticos, anti-inflamatórios ou de qualquer medicação que não tenha orientação médica, pois o uso indiscriminado para curar as doenças transmitidas pela picada do Aedes aegypti não tratará o problema e ainda poderá agravá-lo, facilitando sangramentos.
De acordo com o professor de infectologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Carlos Brites, os antibióticos não funcionam para tratar o vírus e, sem indicação adequada, trazem resistência às bactérias. Já os anti-inflamatórios ampliam o risco de que as doenças se agravem, progredindo para as formas hemorrágicas.
“O ideal é que, ao perceber que sintomas como febres e dores articulares não cedem depois de três dias e que estão piorando, a pessoa doente procure o serviço médico ou posto de saúde imediatamente para a orientação das medicações que podem ser usadas para tratar o quadro”, esclarece Brites.
Já o infectologista e membro do corpo clínico da unidade referência em doenças infectocontagiosas na Bahia, o Hospital Couto Maia, Claudilson Bastos ressalta que, na fase inicial, as viroses são todas muito parecidas, mas é importante relatar ao médico sintomas importantes como febre por mais de sete dias, manchas na pele, dor nas articulações que tenham começado de modo súbito e que não cedam.
O médico lembra também a importância de relatar viagens para Feira de Santana e cidades vizinhas.
“As gestantes, as crianças menores de 2 anos, os idosos (maiores de 65 anos) e aquelas pessoas portadoras de outras doenças graves, como o diabetes, são mais vulneráveis às infecções e, por isso mesmo, precisam de mais proteção”, explica Bastos.
Embora, na maioria dos casos, a Chikungunya não traga risco de vida, os especialistas chamam atenção para prevenção, através do combate ao mosquito, nos mesmos moldes da dengue, evitando água parada e os criadouros, além do lixo aberto em áreas públicas.
Nos casos da doença, é importante não descuidar da hidratação dos doentes e a comunicação aos órgãos públicos deve ser imediata através do 136 ou 0800 644 6645.
(Ibahia)

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