Pizza e Pesquisa: Cada um encomenda a seu gosto

No anos de 2012, respondi pela comunicação eleitoral de um candidato aqui da região metropolitana de Salvador. Uma Campanha fácil, devido a popularidade do candidato, mas muito complicada devido a sua precária comunicação institucional.
Na época, transcorridos 30 dias de campanha, o candidato de oposição apareceu com uma pesquisa que ele encomendara de um instituto amigo. Na dita pesquisa, ele aparecia liderando o pleito com ampla vantagem. Todavia, bastou uma olhada mais apurada nas localidades onde, supostamente, teriam se realizado as entrevistas para se perceber que, a tal pesquisa, era uma “encomenda” de verdade.
Este tipo de exercício criativo dos candidatos serve apenas para esperançar a militância. No caso das pesquisas presidenciais, isso só se acentua.
Tem uma coisa que aprendi com o jornalista e especialista em pesquisas eleitorais, Júlio Augusto, pesquisa cada encomenda a seu gosto. Como profissional de comunicação, trabalhando em Campanhas majoritárias e proporcionais há mais de 20 anos, prefiro a observação do cenário e o dia a dia das ruas durante as campanhas. Que tem observado estes sintomas, vê claramente que o cenário está muito mais para a oposição do que para a situação.
Dilma, carregando o desgaste da fadiga de poder dos últimos 12 anos e os efeitos dos sucessivos escândalos que perseguem o PT, pode até vencer as eleições. Todavia, não é isso que se percebe nas ruas.
Cristalizada em um teto de votos que foi herdado do antecessor e sem muito o que esperar em um segundo turno, resta a presidente apostar na vitória no primeiro turno. Ainda que primaria, a analise é simples: Dificilmente os eleitores de Aécio migrarão para Dilma em um segundo turno. a tendência natural é que migrem para Marina. Se esta matemática encontrar guarida na realidade, Dilma não reúne as condições de vencer Mariana. Restando apenas detonar a opositora afim de esvazia-la no primeiro turno para que seja ultrapassada pelo PSDB, tradicionalmente, presa fácil nas últimas eleições.
Assim, façam suas apostas.
Por Jorge Andrade


