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Regulação Zero: O povo não suporta mais tanto descaso

A população baiana convive diariamente com um problema que se tornou um verdadeiro drama na saúde pública: a demora do sistema de regulação hospitalar. O que deveria servir para agilizar o atendimento e garantir a transferência de pacientes para unidades mais adequadas transformou-se em motivo de sofrimento, angústia e, em muitos casos, desespero para milhares de famílias.
Pacientes internados em UPAs, hospitais do interior e unidades de saúde espalhadas pelos mais diversos municípios da Bahia aguardam por dias, semanas e até meses por uma vaga. Muitos dependem de transferências para hospitais de referência, exames de alta complexidade, como tomografias e ressonâncias magnéticas, ou tratamentos especializados que não estão disponíveis nas unidades onde se encontram internados.
O mais grave é que existem casos amparados por decisões judiciais e liminares que sequer são cumpridas. Enquanto isso, pessoas que lutam pela própria sobrevivência continuam agonizando em leitos hospitalares, sem respostas e sem perspectivas. É lamentável que, em pleno ano de 2026, no século XXI, a saúde pública ainda seja tratada dessa forma.
A redação do site Visão Cidade recebe constantemente reclamações de familiares de pacientes internados no Hospital Geral de Itaparica (HGI). Segundo os relatos, diversos pacientes aguardam regulação há vários dias, especialmente nos finais de semana, quando a situação se torna ainda mais complicada.
De acordo com familiares, setores importantes para o acompanhamento dos pacientes não funcionam adequadamente fora do horário comercial. A assistência social atua apenas até as 17 horas durante a semana e, nos finais de semana, o atendimento é reduzido ou inexistente. Muitas vezes, os familiares dependem exclusivamente das informações fornecidas por enfermeiros e enfermeiras para saber o estado de saúde de seus parentes.
Também são frequentes as reclamações sobre a escassez de médicos e a falta de informações claras sobre os processos de transferência. Para muitos familiares, é difícil compreender como um hospital administrado por uma fundação e vinculado ao Governo do Estado da Bahia enfrenta tantas dificuldades para oferecer um atendimento compatível com as necessidades da população da Ilha de Itaparica e região.
O Hospital Geral de Itaparica atende moradores de Vera Cruz, Itaparica, Salinas da Margarida e localidades vizinhas. No entanto, a unidade não dispõe de leitos de UTI, tomógrafo ou equipamento de ressonância magnética, o que torna indispensável a transferência de inúmeros pacientes para Salvador ou outros centros de referência.
Imagine a dor e a aflição de uma família que vê um ente querido necessitando urgentemente de exames ou tratamentos especializados e tendo que implorar por uma vaga na regulação para garantir sua sobrevivência. Essa é a realidade enfrentada diariamente por muitos baianos.
Infelizmente, essa situação não se restringe à Ilha de Itaparica. Ela reflete uma crise que atinge diversas regiões do estado. Como resumiu o senhor José, um dos familiares ouvidos pela reportagem: “Estamos vivendo o maior programa da saúde baiana. Um programa que parece existir para deixar de resolver os problemas de quem mais precisa. Esse programa chama-se Regulação Zero.”


A população espera providências urgentes. Afinal, saúde não pode esperar.


Visão Cidade

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