Ilha de Itaparica: Regulação Zero – Parte II
A população dos municípios de Vera Cruz e Itaparica, localizados na Ilha de Itaparica, mais uma vez se vê diante de uma situação que desafia a compreensão de qualquer cidadão: a dificuldade enfrentada por pacientes internados no Hospital Geral de Itaparica quando necessitam de regulação para unidades de saúde mais estruturadas e com maior capacidade de atendimento.
O Hospital Geral de Itaparica desempenha um papel fundamental para a região, atendendo moradores de Vera Cruz e Itaparica. No entanto, profissionais de saúde, pacientes e familiares convivem diariamente com limitações que comprometem a qualidade da assistência prestada. Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais servidores fazem o possível para atender à demanda, mas esbarram na falta de estrutura e de equipamentos essenciais.
É inadmissível que, em pleno século XXI, uma unidade hospitalar que atende milhares de pessoas não disponha de equipamentos de alta complexidade, como tomógrafo e aparelho de ressonância magnética. Até mesmo os equipamentos de radiologia são frequentemente alvo de questionamentos quanto à sua modernização. Há anos, a população ouve anúncios de reformas, ampliações e investimentos por parte do Governo do Estado, mas, na prática, muitos dos problemas persistem.
Embora os governos municipal, estadual e federal sejam parceiros em diversas ações, o sentimento da população é de abandono quando o assunto é saúde pública. Pacientes chegam a permanecer dias internados aguardando uma regulação. Em alguns casos, a espera ultrapassa dez dias, gerando sofrimento, angústia e insegurança para familiares e pacientes.
A pergunta que muitos fazem é: de quem é a responsabilidade? O Hospital Geral de Itaparica é uma unidade estadual e, portanto, sua gestão e funcionamento são de responsabilidade do Governo do Estado. Entretanto, a população cobra respostas e soluções urgentes para um problema que afeta diretamente a vida das pessoas.
José, parente de um paciente que aguarda transferência, afirma não compreender a demora e a falta de respostas. Segundo ele, diversos pacientes permanecem internados à espera de uma vaga regulada, enquanto seus quadros clínicos exigem atendimento especializado.
Outra reclamação recorrente refere-se ao funcionamento administrativo da unidade. Segundo relatos, alguns setores administrativos operam apenas durante os dias úteis, o que dificulta o acompanhamento de demandas nos finais de semana, justamente quando muitos casos necessitam de respostas rápidas.
A situação da saúde pública na Ilha de Itaparica vai além do Hospital Geral. Em Vera Cruz, a maternidade permanece fechada há anos. Apesar de a placa indicar reforma, a população aguarda há muito tempo pela reabertura da unidade, que é de responsabilidade municipal.
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Vera Cruz passou por uma ampla reforma, mas moradores continuam reclamando da falta de médicos, da demora nos atendimentos e da insuficiência de profissionais para atender à demanda crescente.
Em Itaparica, assim como em Vera Cruz, moradores também relatam dificuldades nos postos de saúde, principalmente pela falta de medicamentos e pela limitação de atendimentos. As reclamações são constantes e revelam uma população que se sente desassistida diante de um direito fundamental garantido pela Constituição: o acesso à saúde.
Diante desse cenário, uma pergunta continua sem resposta:
Quem é o verdadeiro responsável pela saúde da população da Ilha de Itaparica?
Enquanto essa resposta não vem acompanhada de ações concretas, milhares de cidadãos continuam enfrentando dificuldades para obter atendimento médico digno, rápido e eficiente.
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