Vera Cruz e Itaparica: existe transporte público ou apenas transporte alternativo?

Moradores e visitantes da Ilha de Itaparica reclamam constantemente da qualidade do serviço prestado pelas vans que realizam o transporte alternativo nos municípios de Vera Cruz e Itaparica. As principais queixas envolvem o valor das passagens, as condições dos veículos, a falta de organização das associações responsáveis pelo serviço e a disputa acirrada por passageiros.
Nos terminais de Bom Despacho e de Mar Grande, a cena se repete diariamente. Cobradores e motoristas disputam passageiros de forma intensa, chegando, em algumas ocasiões, a ocorrer discussões e até agressões entre profissionais. Embora exista uma suposta escala de embarque, muitos usuários afirmam que ela não é respeitada, o que gera confusão e constrangimento.
Em Bom Despacho, a disputa começa ainda na saída do Terminal Ferry-Boat, quando cobradores abordam os passageiros que desembarcam. Em Mar Grande, a situação é semelhante: assim que as lanchas atracam, motoristas e cobradores competem pelos usuários, provocando desorganização e insegurança.
Outro ponto que gera reclamações é o serviço dos chamados “ligeirinhos”, realizado por táxis que transportam passageiros em sistema de lotação. Na prática, muitos veículos deixam de operar como táxis convencionais e passam a funcionar como transporte coletivo, sem uma fiscalização efetiva. Os preços variam de acordo com o horário e a demanda, principalmente após as 19h, quando, segundo usuários, os valores costumam aumentar.
Diante desse cenário, cresce a cobrança para que as Câmaras de Vereadores e as prefeituras de Vera Cruz e Itaparica adotem medidas para regulamentar o sistema. Usuários afirmam ouvir com frequência de motoristas a frase: “O carro é meu, não é da prefeitura”, o que demonstra, segundo eles, a ausência de regras claras e fiscalização eficiente.
Outro tema que preocupa a população é o possível reajuste das tarifas. Já circulam informações de que uma das associações pretende elevar o valor da passagem para R$ 11. Caso isso se confirme, quem mais sofrerá será o usuário, que muitas vezes não tem alternativa de transporte.
Além disso, passageiros também questionam a cobrança da taxa de embarque no Terminal de Bom Despacho, administrado pela Internacional Travessias, e reclamam da estrutura do local, considerada precária e sem o conforto necessário. Há ainda críticas à falta de regulamentação que garanta benefícios como a gratuidade para idosos e pessoas com deficiência no transporte alternativo.
Diante de todas essas questões, a população defende que os dois municípios avancem na criação de uma política pública de mobilidade urbana, com regras claras, fiscalização, tarifas definidas e um serviço de qualidade. Atualmente, muitos moradores afirmam que Vera Cruz e Itaparica não possuem um sistema de transporte público propriamente dito, mas sim um transporte alternativo que necessita de regulamentação.
“O povo não aguenta mais pagar caro por um serviço sem organização. Precisamos de regras e respeito com quem depende do transporte todos os dias”, afirmou o morador Jorge.
Com a palavra vereadores de cada município
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