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Ferry Boat: Terminal de Bom Despacho vive um caos sem precedentes

Bom Despacho, Ilha de Itaparica — Os usuários do sistema Ferry Boat parecem não ter mais a quem recorrer diante da situação de abandono em que se encontra o Terminal de Bom Despacho. Da entrada do terminal até a chegada à bilheteria, o usuário já enfrenta dificuldades, com um atendimento que, segundo relatos, deixa muito a desejar e contribui para aumentar ainda mais o desconforto de quem precisa utilizar o serviço.
E quando se trata dos pedestres, a situação se agrava ainda mais.
Ao entrar no terminal e chegar ao salão de espera, o usuário se depara com uma estrutura que deveria oferecer o mínimo de conforto enquanto aguarda o embarque, mas que apresenta condições bastante precárias. Os assentos destinados aos passageiros estão danificados ou sem condições adequadas de utilização, obrigando muitas pessoas a permanecerem em estruturas improvisadas ou simplesmente em pé durante a espera.
Mas o problema não para por aí.
Um dos aspectos que mais chama a atenção de quem frequenta o terminal é o forte mau cheiro, aparentemente provocado por problemas relacionados à rede de esgoto. O odor, segundo usuários, é constante e chega a ser insuportável.
Basta observar o comportamento de algumas pessoas no local: muitas precisam colocar as mãos no nariz para tentar diminuir o incômodo provocado pelo forte cheiro.
Se existe mau cheiro permanente de esgoto dentro de um terminal de transporte público utilizado diariamente por centenas de pessoas, alguma coisa está muito errada.
Os sanitários também são motivo de reclamação. Há banheiros que apresentam sujeira, problemas de descarga e equipamentos sem condições adequadas de uso. Nos mictórios masculinos, a situação relatada é ainda mais preocupante: alguns permanecem cheios de urina, sem que o sistema de descarga funcione adequadamente.
A pergunta que fica é inevitável:
É dessa maneira que se deve tratar quem paga pelo serviço?
O usuário do Ferry Boat não está utilizando um serviço gratuito. Ele paga pelo transporte e, portanto, tem direito a condições mínimas de higiene, segurança, organização, atendimento e conforto.
O que se observa no Terminal de Bom Despacho, diante dos problemas relatados, é uma situação que precisa ser enfrentada com seriedade.
E cobrar providências parece, muitas vezes, como “malhar em ferro frio”. Afinal, há quanto tempo os usuários enfrentam problemas semelhantes? Quantas reclamações já foram feitas? Quantas fiscalizações foram realizadas? Quantas providências efetivamente foram tomadas?
O sistema Ferry Boat é um serviço essencial para a população que se desloca entre a Ilha de Itaparica e Salvador. Não se pode tratar seus usuários como se estivessem recebendo um favor.
É preciso lembrar que existe uma agência reguladora responsável pela fiscalização do sistema, além do próprio Governo do Estado, que tem responsabilidade sobre o patrimônio público e precisa acompanhar de perto a qualidade do serviço prestado.
Não basta fiscalizar no papel. É preciso estar presente, observar a realidade enfrentada diariamente pelos usuários e cobrar soluções concretas.
Com a palavra a agência reguladora responsável pela fiscalização do sistema Ferry Boat.
Com a palavra o Governo do Estado.
Com a palavra todos aqueles que têm responsabilidade pela administração, fiscalização e manutenção desse importante sistema de transporte.
Os usuários querem respostas. Mais do que respostas, querem providências.
Porque o que está em jogo não é apenas a qualidade de um terminal. É o respeito ao cidadão que utiliza diariamente um serviço público essencial.


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