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Editorial — Eleitor, o voto é seu

Nesta eleição, depois da definição dos números de cada candidato, uma pergunta tem sido feita por muitos eleitores — e, até agora, parece não haver uma resposta capaz de explicar aquilo que os olhos do povo estão vendo.
É cada vez mais comum encontrar lideranças de bairros, lideranças comunitárias e representantes políticos espalhados pelos municípios da Bahia exibindo, nas camisas, nos veículos, nas casas e nos seus redutos eleitorais, as famosas “praguinhas” de candidatos de diferentes partidos e correntes políticas.
Até aí, poderia parecer apenas uma estratégia eleitoral. Mas a coisa vai muito além.
Há situações em que um cabo eleitoral pede voto para um candidato a deputado federal de determinado partido, para deputado estadual de outra legenda, para senador de uma terceira agremiação, enquanto defende um candidato a governador de um lado e um candidato à Presidência da República de outro.
É uma verdadeira sopa de legendas.
Uma mistura tão grande que, muitas vezes, fica difícil até para quem está fazendo a campanha explicar qual é, afinal, o seu lado político.
E aqui está a pergunta que chega das ruas:
Isso é coerência política ou apenas conveniência eleitoral?
Não estamos falando de proibir ninguém de fazer suas escolhas. O eleitor é livre. A democracia permite a pluralidade, a diversidade de opiniões e até mesmo o voto em candidatos de diferentes partidos.
Mas existe uma questão que merece reflexão: quando uma liderança pede o voto do eleitor, em nome de quê está fazendo esse pedido?
Em nome de uma convicção? De um projeto? De uma história? De compromissos assumidos? Ou simplesmente porque aquele candidato, naquele momento, pode representar alguma vantagem política?
É preciso separar liberdade de escolha de falta de identidade.
Ter lado político não significa ser inimigo de quem pensa diferente. Ter lado significa saber explicar ao eleitor quais são os princípios, os compromissos e os projetos que justificam aquele pedido de voto.
Porque política sem identidade pode se transformar em uma verdadeira feira de interesses: hoje serve uma legenda, amanhã serve outra; hoje o discurso é de um lado, amanhã muda de direção conforme sopra o vento.
E o eleitor?
O eleitor não pode ser tratado como simples peça de uma engrenagem eleitoral.
Ele não é cabo eleitoral de ninguém. Não é propriedade de liderança alguma. Não é obrigado a seguir o pedido de quem quer que seja.
O voto pertence ao eleitor.
É ele quem coloca a mão na urna. É ele quem confirma a escolha. É ele quem, depois da eleição, terá de conviver com as consequências das decisões tomadas pelos eleitos.
E existe ainda uma questão que merece atenção.
Depois das eleições gerais, virão as eleições municipais. E é justamente aí que muitas dessas lideranças voltarão a bater às portas do eleitor.
Talvez aqueles mesmos que hoje aparecem com uma verdadeira coleção de “praguinhas” sejam amanhã os mesmos que pedirão confiança para escolher prefeito e vereador.
E então a pergunta poderá voltar ainda mais forte:
Em quem você realmente acredita?
O eleitor precisa começar a construir a sua própria identidade eleitoral. Não pode entregar sua consciência política a terceiros. Não deve trocar seu voto por promessa, favor, aperto de mão, fotografia, combustível, benefício momentâneo ou qualquer outra forma de convencimento que retire dele a liberdade de decidir.
A política passa. Os candidatos passam. As eleições passam.
Mas as consequências das escolhas permanecem.
Por isso, eleitor, observe. Compare. Pergunte. Conheça. Procure saber o que cada candidato defende, o que já fez, o que promete fazer e, principalmente, quais compromissos apresenta com a população.
Não entregue sua consciência.
Não terceirize sua escolha.
Não permita que alguém coloque nas suas mãos um voto pronto, como se você não tivesse capacidade de decidir.
A democracia começa justamente quando cada cidadão entende o tamanho da sua responsabilidade.
A escolha é sua.
A consciência é sua.
A decisão é sua.
E o voto é seu.


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