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Mudando de lado a cada dois anos

“Rapte-me, Camaleoa”, famosa canção de Caetano Veloso, lançada no álbum Outras Palavras, em 1981, traz na sua essência a figura do camaleão: aquele que se adapta, muda de aparência e se ajusta às circunstâncias.
E essa imagem parece encontrar um paralelo bastante evidente na política brasileira.
A cada dois anos, especialmente em períodos eleitorais, assistimos a mudanças de postura de alguns líderes comunitários, políticos e daqueles que se apresentam como representantes de determinados grupos ou interesses. São pessoas que, conforme o cenário político, mudam de posição, de discurso e, muitas vezes, de lado.
A pergunta que fica é: até quando vamos conviver com essa política de conveniência?
O Brasil precisa, com urgência, construir uma identidade eleitoral mais madura. É necessário saber quem é quem, quais são suas convicções e de que lado realmente está cada liderança. Isso não significa defender que alguém jamais possa mudar de opinião. A democracia permite mudanças, mas elas precisam ser acompanhadas de coerência, transparência e respeito ao eleitor.
O que não pode se tornar comum é a mudança de lado a cada dois anos simplesmente por conveniência, interesse político ou oportunidade eleitoral. Quando isso acontece repetidamente, a credibilidade fica comprometida e o eleitor passa a enxergar essas movimentações com desconfiança.
A política precisa de identidade, princípios e coerência. O eleitor também precisa exercer sua liberdade de escolha com consciência, sem ser conduzido por aqueles que aparecem em cada eleição defendendo um lado diferente.
No fim das contas, o eleitor observa, compara e guarda na memória. Quem muda de lado constantemente pode até tentar se adaptar ao cenário, mas dificilmente consegue mudar a percepção de quem acompanha a política.
Na política, como na vida, coerência vale mais do que conveniência.

Visão Cidade

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