O matuto: Até a IA é política
— Ô compadre, o mundo tá mudado mesmo, viu?
— Tá mudado como, homem?
— Pois pronto! Hoje eu tava conversando com meu compadre por uma tal de videoconferência. Ele lá na casa dele e eu cá na minha. E não é que nós conversou foi muito?
— Conversou sobre o quê?
— De tudo um pouco, meu compadre! Falamos de futebol, Libertadores das Américas, Campeonato Brasileiro, futebol feminino, Copa do Mundo do ano que vem e mais um bocado de coisa.
— E aí vocês foram parar onde?
— Na tal da IA!
— IA? E o que é isso, homem?
— Rapaz, dizem que é a ferramenta da vez. Veio para ficar. Meu compadre começou a me contar que essa tal de inteligência artificial faz um bocado de coisa: muda ambiente, modifica imagem, mexe com fotografia, escreve texto, responde pergunta… Eu fiquei foi abismado!
— E tu acreditou nisso?
— Acreditei nada! Fiquei desconfiado foi mais ainda.
— E o que foi que vocês inventaram?
— Meu compadre teve uma ideia: perguntar para a IA quem vai ganhar a eleição para governador do estado e quem vai ganhar para presidente do Brasil.
— E tu deixou?
— Eu disse logo: “Compadre, não mexa com isso, homem! Não mexa com isso! Isso é coisa séria!”
— E ele?
— Ele disse: “Mas nós temos que conhecer essa tal de IA. Todo mundo tá usando: nas escolas, nos cursos, nas empresas… Por que nós não podemos perguntar?”
— E tu?
— Eu disse: “Pode perguntar, mas depois não venha dizer que fui eu que botei nós dois nessa confusão!”
— E aí?
— Nós fizemos um trato. Ele perguntava lá e eu perguntava cá. Depois nós voltava a conversar para comparar as respostas.
— E a IA respondeu?
— Respondeu.
— Disse quem ganhava?
— Aí é que está a história, compadre!
— Como assim?
— Ela falou de um, falou de outro, falou de A, falou de B, falou de C… Mas justamente aquilo que nós queria saber, ela não disse!
— Oxente! E vocês ficaram sem saber?
— Ficamos!
— Então essa tal de inteligência artificial não é tão inteligente assim, não?
— Calma, compadre! Também não vamos brigar com a tecnologia.
— Mas eu vou lhe dizer uma coisa: eu gosto mesmo é da opinião dos antigos.
— E qual é?
— Eleição a gente só sabe quem ganhou quando termina a votação e se contam os votos. Quem tiver mais voto, ganha. Pronto! É simples assim.
— Isso é verdade.
— Antigamente ainda demorava uma vida para saber o resultado. Tinha eleição que o povo passava dias esperando.
— Hoje não.
— Hoje é diferente. A urna eletrônica tá aí. Terminou a votação, começa a apuração e, pouco tempo depois, a gente já começa a saber quem ganhou e quem perdeu.
— E este ano vai ser uma eleição grande.
— Grande mesmo! Vai ter presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.
— É voto que não acaba mais!
— Pois é. O eleitor vai apertar a urna seis vezes, escolhendo cada cargo de uma vez.
— E no final?
— No final, meu compadre, não tem IA que invente, não tem conversa bonita, não tem promessa, não tem pesquisa e não tem opinião de ninguém que substitua o voto.
— E quem decide?
— O eleitor.
— E quem ganha?
— Quem tiver mais votos!
— Então deixa a IA trabalhar no que ela sabe.
— E a eleição?
— A eleição deixa para o povo.
— E depois da apuração?
— Aí sim nós pergunta para a IA se ela acertou alguma coisa!
— Agora você falou bonito, compadre!
Pois é, meu povo. O mundo mudou, a tecnologia mudou e até a inteligência artificial entrou na conversa política. Mas existe uma coisa que continua igual: eleição se decide no voto.
Pode perguntar para a IA, pode perguntar para o vizinho, pode perguntar para o compadre, pode perguntar para quem quiser.
No final das contas, quem responde de verdade é a urna.
Visão Cidade
(Foto: internet)



