Entrevistas em emissoras de TV precisam fugir do óbvio e apresentar propostas dos presidenciáveis
Recebi, em minha casa, a ilustre visita do meu compadre. Como sempre, uma pessoa muito estudiosa, atenta e antenada com tudo o que acontece na política, na economia e nos mais diversos setores do Brasil.
Logo no início da nossa conversa, ele me perguntou: “Você assistiu a todas as entrevistas realizadas pelas emissoras de televisão, de segunda-feira até sábado?”
Respondi que sim. Estive atento, acompanhando cada entrevista na expectativa de entender quais seriam as propostas de cada um dos seis presidenciáveis para melhorar o Brasil.
E, na verdade, essa também é a expectativa de milhões de brasileiros: conhecer o que cada candidato pretende fazer para transformar o país, melhorar a qualidade de vida da população e enfrentar os grandes problemas nacionais.
Entretanto, o que acompanhamos durante esse período ficou, em muitos momentos, distante dessa expectativa. Em vez de um amplo debate sobre propostas, prevaleceram perguntas e respostas marcadas por confrontos, ataques, críticas e tentativas de expor o lado negativo de cada candidato.
Se esse era o objetivo das entrevistas, tanto eu quanto meu compadre entendemos que o resultado não foi alcançado. Em determinados momentos, pareceu que o tiro saiu pela culatra.
Muitas perguntas ficaram sem respostas objetivas. Algumas respostas não apresentaram fundamentos suficientes para aquilo que havia sido questionado. Houve também momentos de tensão e agressões verbais entre os participantes.
O resultado disso pôde ser percebido nas redes sociais, nas conversas entre amigos, nos bares, nos ambientes de trabalho e nos mais diversos espaços de convivência. A sensação predominante foi a de que o eleitor terminou esse ciclo de entrevistas sem conhecer, de forma clara e consistente, aquilo que realmente interessa: as propostas de governo.
Foram entrevistados Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Luiz Inácio Lula da Silva, Renan Santos, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury, todos colocados diante da oportunidade de apresentar suas ideias ao eleitor brasileiro.
Mas o que a população esperava ouvir era algo muito mais amplo.
Quais são as propostas para a educação?
Como melhorar a saúde pública?
O que fazer pelo saneamento básico?
Quais são os projetos para o transporte?
O que será feito pela cultura, pelo lazer, pela ciência, pela tecnologia e pela geração de emprego e renda?
E, acima de tudo, qual é o plano para enfrentar um dos maiores problemas do país: a segurança pública?
É preciso compreender que esses temas estão interligados. Uma educação de qualidade, um saneamento básico eficiente, uma saúde pública que funcione, transporte de excelência e oportunidades de emprego podem produzir impactos positivos na segurança e na qualidade de vida da população.
Da mesma forma, um conjunto consistente de políticas públicas pode contribuir para uma economia mais forte, com geração de emprego e renda, salários dignos e maior poder de compra para os brasileiros.
Era isso que o eleitor esperava encontrar nas entrevistas: propostas, projetos, caminhos e soluções.
Infelizmente, com o encerramento dessa sequência de entrevistas, pouco se ouviu — e, em alguns momentos, praticamente nada se ouviu — sobre um conjunto consistente de propostas capaz de permitir ao eleitor comparar projetos e escolher conscientemente quem está mais preparado para governar o Brasil.
Agora, com o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, fica a expectativa de que os candidatos aproveitem esse espaço para apresentar, de maneira clara e objetiva, seus programas de governo.
O eleitor não precisa apenas ouvir acusações, ataques e respostas prontas. Precisa conhecer propostas. Precisa saber o que cada candidato pretende fazer e, principalmente, como pretende fazer.
Que a campanha eleitoral não seja transformada em um festival de acusações e troca de amabilidades. Que o conteúdo principal seja aquilo que realmente interessa à sociedade: o futuro do Brasil.
Porque, no final das contas, o eleitor não quer apenas saber quem é contra quem.
O eleitor quer saber quem tem propostas, preparo e condições para governar.
Visão Cidade


