Salvador

Estudantes ganham protagonismo com desfiles de fanfarras e balizadores no 2 de Julho em Salvador

Os estudantes foram um dos grandes destaques das celebrações pelos 203 anos da Independência do Brasil na Bahia, comemorados nesta quinta-feira (2), em Salvador. Com apresentações de fanfarras, bandas marciais e balizadores, os jovens transformaram o desfile cívico em um espetáculo de música, disciplina e expressão artística, resultado do trabalho desenvolvido ao longo do ano nas escolas.

O cortejo reuniu fanfarras municipais, estaduais e da Região Metropolitana, além de filarmônicas e grupos populares, reafirmando a tradição da principal celebração cívica da Bahia e valorizando a cultura, a educação e a formação de crianças e adolescentes.

O desfile das escolas municipais teve início às 9h, logo após as cerimônias oficiais na Lapinha. Representando a rede municipal de ensino, a Banda Marcial da Escola Municipal da Palestina (Bamup) desfilou pela manhã. O grupo é formado por cerca de 90 integrantes e é referência no segmento, com quatro títulos de campeonatos baianos de bandas e fanfarras.

Idealizador e regente da Bamup, Valteir Santos destacou o orgulho de conduzir um projeto voltado para crianças e adolescentes da comunidade. “Trabalhar com esses jovens, levando música, disciplina e oportunidade, me traz muito amor e orgulho de cada um dos meus alunos”, afirmou.

À tarde, o cortejo seguiu pela Avenida Sete de Setembro em direção ao Campo Grande, mantendo a tradição dos festejos da Independência. Um dos destaques foi o desfile foi a Banda Marcial Complexo Brasileiro de Arte e Cultura (Cobrac), de Santo Amaro. Com cerca de 120 estudantes, a instituição desenvolve atividades de iniciação musical, oficinas de dança, teatro e cultura cívica.

O coordenador Leonardo Vinicius destacou a importância da música na formação dos jovens e o trabalho desenvolvido pela banda ao longo de mais de cinco décadas. “A música ensina muito mais do que disciplina. É também um processo de profissionalização. Temos músicos que passaram pela banda e hoje acompanham artistas nacionais. O ensino é baseado em partitura. O aluno chega sem conhecimento e sai tocando qualquer instrumento com fluência. A Cobrac é uma das bandas mais antigas da Bahia e carregamos o slogan de ‘Imperatriz das Bandas’”, afirmou.

Balizador da Cobrac, Denis Salles também ressaltou a emoção de participar do desfile cívico. “Estar presente desfilando, a cada ano que passa, é uma realização imensa. Sempre precisamos criar uma apresentação específica para o 2 de Julho. É um processo cansativo, mas que vale muito a pena. Tudo é feito com amor à pátria”, disse.

Participação popular – Além das apresentações das fanfarras, o desfile reuniu milhares de pessoas ao longo do percurso, entre moradores e turistas, que destacaram a importância de preservar a história e as tradições da Bahia.

Pela primeira vez em Salvador, a empresária Giucélia Lima, de 47 anos, turista do Espírito Santo, disse ter ficado impressionada com a dimensão da festa e com a participação da juventude na celebração. “A energia das pessoas é contagiante. Vale muito a pena vir a Salvador para viver esse momento. É bonito ver tantos jovens envolvidos com a cultura e preservando essa tradição. Estou muito feliz por participar dessa festa tão importante para a Bahia e para o Brasil”, enfatizou.

O vigilante Raimundo dos Santos, de 48 anos, acompanhou a programação ao lado dos dois filhos, de 10 e 12 anos, e destacou a importância de manter viva a tradição. “Estou achando o desfile muito bonito, muito bem ensaiado. É uma tradição que precisa continuar sendo valorizada. Sempre que posso, trago meus filhos para conhecer a história do 2 de Julho. Eles gostaram bastante de ver o cortejo pela manhã e ficaram para acompanhar também o desfile das escolas”, contou.

A recepcionista Maria Lourdes Neves, de 54 anos, destacou a participação dos estudantes como um dos momentos mais marcantes da celebração. “É muito bonito ver jovens participando e aprendendo sobre a história da Bahia desde cedo. Todos os anos aguardo a passagem das escolas. Acho tudo muito bonito. O desfile emociona porque mostra que essa tradição continua viva para as novas gerações”, afirmou.

Texto: Fabiane Humildes, Marco Pitangueira e Mateus Soares
Foto: Jefferson Peixoto

SECOM

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