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No Dia da Favela

Comunidades do Bambu e Mamede celebram conquistas e reforçam lutas por melhorias em Rio Sena e Alto da Terezinha

Em comemoração ao Dia da Favela, celebrado na última terça-feira (4), o Repórter Hoje esteve na comunidades do Bambu (Rio Sena) e na Mamede (Alto da Terezinha) em Salvador. A data trouxe à tona histórias de resistência, pertencimento e transformação, mostrando como a união comunitária fortalece e dá sentido à vida na periferia.

Identidade e resistência

O líder comunitário Jorge Costa Santos acompanhou a equipe durante a visita e destacou a importância simbólica da data para os moradores.

“O Dia da Favela é um símbolo de luta e reconhecimento. Aqui tem gente trabalhadora, honesta e sonhadora. A favela é resistência, é vida pulsando todos os dias”, afirmou.
Ele também chamou atenção para a situação do campo do Bambu, espaço de convivência e lazer que, segundo ele, está em condições precárias.

“O campo sempre foi um ponto de encontro da comunidade. Hoje, está abandonado. A gente pede que a Conder e a Prefeitura olhem com carinho para isso.”

Transformações que mudam vidas

A moradora Evanir Almeida Natividade celebrou as melhorias realizadas pelo programa Morar Melhor.
“Foi muito importante. Ajudou muita gente. Ficou tudo arrumadinho, tudo organizadinho.”

Outra moradora, Sandra Moreira, relatou que antes da reforma sua casa sofria com infiltrações constantes.
“Minha casa molhava demais. Hoje, graças a Deus, não molha mais. Não tenho nada a reclamar.”

Entre os relatos, a história de Luzicleide dos Reis se destacou pela superação. Ela precisou deixar sua própria casa com os filhos devido às condições precárias, mas hoje vive um retorno marcado por dignidade.

“Agora eu tenho uma casa de verdade. É a primeira vez que tive um banheiro dentro de casa. Isso mudou a vida da minha família.”
Luzicleide fez questão de agradecer. “Agradeço ao prefeito Bruno Reis, a Jorge e ao programa Morar Melhor. Mudaram a minha vida e da minha família.”

Visita ao Alto da Terezinha: raízes, memória e resistência

Dando sequência à cobertura, a equipe seguiu para o Alto da Terezinha, na localidade conhecida como Mamede. A visita não foi apenas jornalística, foi afetiva. O repórter Ivan Luiz Santana retornou ao lugar onde viveu ao chegar a Salvador, no final dos anos 1980, quando veio cursar Jornalismo. Na época, foi acolhido na casa de Dona Balbina, esposa de seu primo Antônio, laço que se tornou símbolo de cuidado e pertencimento.

Revisitar o Mamede foi, para o jornalista, reencontrar as raízes que ajudaram a moldar sua identidade e sua trajetória profissional. Pelas ruas, reencontros, lembranças e o mesmo sentimento de comunidade que o acolheu décadas atrás.

Durante a visita, a equipe conversou com a liderança comunitária Carlinhos Babá, que falou sobre os avanços e permanências da luta social no bairro.

“Aqui é um lugar de gente que batalha todos os dias. A comunidade cresceu, se organizou e conquistou melhorias, mas ainda temos muito a avançar. O que move a gente é a união.”

Durante a visita, o morador Luiz Carlos, conhecido pela vizinhança pela sua trajetória ligada ao crescimento da comunidade, compartilhou um relato que reflete o orgulho de quem viu o bairro se transformar.

“Hoje, no Dia da Favela, eu só tenho a agradecer pela minha favela. Eu amo a minha favela. Quando cheguei aqui com oito filhos, morando num barraco simples. Era tudo na luta. Hoje, a gente olha e vê a casa construída, firme, abrigando toda a nossa família. Isso aqui é história, é resistência, é vitória.” A fala reforça uma verdade que atravessa todas as favelas: nada se conquista sozinho.

Para o jornalista Ivan Luiz Santana, o retorno foi marcado pela emoção de perceber que, apesar das transformações do tempo, a essência da comunidade permanece. “Foi aqui que eu aprendi sobre vida, sobre respeito e sobre o verdadeiro sentido de comunidade. Voltar hoje, como repórter, e ver tantas conquistas me emociona. A favela é movimento. Ela nunca para.”

No Bambu ou na Mamede, o que pulsa é a mesma força: a capacidade de transformar vulnerabilidade em potência, de construir caminhos onde antes havia muros, de fazer da memória uma ferramenta de futuro.
A favela segue — firme, viva e em constante reconstrução. (Por Fernando de Menezes, estagiário, sob supervisão de Ivan Luiz Santana) Fotos: Fernando de Menezes

Repórter Hoje

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