Bahia volta a vencer na Libertadores com gol de Erick Pulga

O jejum de 35 anos finalmente terminou – o Bahia venceu o primeiro jogo na Libertadores desde 1989, enfrentando um Nacional que sofre tentando conhecer seu estilo de jogo com o novo técnico que estreou hoje (9). Os dois times entraram em campo pela segunda rodada do Grupo F da Libertadores, às 19h, no Estádio Gran Parque Central, Uruguai.
Os personagens prometiam muito. Do lado tricolor, a tão esperada volta do capitão Éverton Ribeiro, suspenso contra o Santos no Brasileirão, além da volta do time titular com os poupados Kanu, Jean Lucas, Erick Pulga e Lucho Rodríguez em campo, e as contestadas decisões de poupar Caio Alexandre e colocar David Duarte no lugar de Ramos Mingo para começar a partida. Já para o Nacional, a expectativa foi a estreia de Pablo Peirano, técnico que sucede Martín Lasarte.
Em um jogo apertado por protagonismo de ambas as defesas no primeiro tempo e mais desenrolado no ataque no segundo, o grande momento do Esquadrão veio pelos pés de Erick Pulga, em gol chapado vindo de batida no travessão aos 19 minutos do segundo tempo. Um a zero para o Bahia, o vislumbre da subida no Grupo F, e a esperança de manter vivo o sonho da Libertadores no ano de ouro tricolor.
O JOGO
O duelo entre tricolores começou na busca por um placar necessitado por ambos os times. Em terceiro e quarto lugar no grupo, respectivamente, Bahia e Nacional vão sendo eliminados da Libertadores na fase de grupos, vindos de sequências complicadas. Para o brasileiro, o vício é o empate, com invencibilidade de dez jogos, mas empates nos últimos três. Para o uruguaio, o gás vindo da goleada de 4 a 0 contra o Cerro Largo pelo Campeonato Uruguaio, encerrando a sequência de quatro jogos perdidos que vinha enfrentando.
No momento em que a bola rolou, o jogo já deu o tom de que começaria focado nas defesas. Com ambos os times apostando em suas zagas para sobreviver nos dez primeiros minutos, o destaque da partida foi lentamente transicionado para o meio-campo, muito instruído por Rogério Ceni a todo tempo da beirada do campo.
Aos poucos, a estratégia do Bahia começou a ser o corredor do meio, criando chances a partir de recuperações de bola que se desenvolvem por dentro, quase sempre com Cauly e Lucho Rodríguez. Sem muita atenção às laterais, alguns lances tricolores foram perdidos por contra-ataques tão focados em arrancadas pelo meio que não percebem jogadores livres dos lados.
A primeira tentativa do Bahia veio aos 13 minutos do primeiro tempo, com um chute a gol pelos pés de Jean Lucas que acabou sendo desviado, seguido por mais um lance parecido de Cauly aos 18. Para o Nacional, o grande primeiro momento foi a falta marcada em cima de Otero aos 24 minutos, batida pelo próprio, especialista em gols por penalidade. Mesmo apertando o coração do torcedor do Esquadrão, a bola saiu pela direita e não apresentou perigo para Ronaldo.
A primeira etapa terminou com dois grandes “quases” do Bahia – o primeiro, aos 36 minutos, em falta perigosa cobrada por Lucho. O segundo com Cauly recebendo por dentro, como durante todo o jogo, driblando a zaga do Nacional e alcançando o goleiro Mejía, mas sem converter. Em 45 minutos apertados pelo protagonismo das defesas, o Nacional não ofereceu grandes riscos ao Esquadrão, que fez um primeiro tempo superior, ainda que pouco ofensivo.
Na volta do intervalo, o jogo seguiu já com susto do Nacional. Aos sete minutos, Millán explodiu na esquerda vindo da entrada da área, mas não conseguiu mandar dentro do gol. No Esquadrão, o primeiro lance perigoso foi um voleio de Jean Lucas na defesa do Nacional aos 11 minutos, seguido por outro voleio de Herezo direto nas mãos de Ronaldo.
Aos 19 minutos, tudo mudou. O sonho de voltar a vencer na Libertadores ficou palpável para o Esquadrão quando Erick Pulga manda a bola diretamente na trave e chapada para dentro do gol, deixando Mejía pelo caminho em um gol lindo no Parque Central. A partir de então, a estratégia do Esquadrão foi arquitetar substituições que levassem o jogo à frente, investindo no ataque e buscando não cair no mesmo erro dos últimos cinco jogos ao sofrer gols nos últimos 35 minutos.
O erro quase se repetiu aos 40 minutos, quando uma bola de Rodríguez caiu encaixada nos braços de Ronaldo. O último grande risco do jogo, no entanto, não veio nem de um time nem do outro, mas sim de um vaso de vidro atirado no campo por torcedores na arquibancada logo atrás do gol de Ronaldo. Gerando revolta no campo, a infração resultou na chamada da polícia para resolver a confusão.
FICHA TÉCNICA
Nacional 0 x 1 Bahia – 2° rodada da fase de grupos da Libertadores
Nacional: Mejía; Ancheta, Callione, Coates, Millán, Báez (Villalba); Otero (Recoba), Oliva (Mauricio Pereyra), Boggio (Yonatan Rodríguez); Herazo, Eduardo Vargas (Nico López). Técnico: Pablo Peirano.
Bahia: Ronaldo; Santiago Arias, Kanu, David Duarte e Luciano Juba; Erick, Jean Lucas (Rodrigo Nestor) e Everton Ribeiro (Caio Alexandre); Cauly (Kaiky), Erick Pulga (Ademir) e Lucho Rodríguez (Willian José). Técnico: Rogério Ceni.
Local: Estádio Gran Parque Central
Gols: Erick Pulga, aos 19 minutos do segundo tempo
Cartões amarelos: Jean Lucas, Erick (Bahia), Ancheta, Yonatan Rodríguez e Callione (Nacional)
Arbitragem: Dario Herrera (ARG), assistido por Gabriel Chade (ARG) e Facundo Rodriguez (ARG). Luis Lobo (ARG) é o quarto árbitro.
VAR: Silvio Trucco (ARG)
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