No adeus a Mandela, mundo celebra um ‘gigante da história’


A cerimônia religiosa ecumênica em homenagem a Nelson Mandela foi encerrada nesta terça-feira no estádio FNB (antigo Soccer City), em Johannesburgo. O primeiro dia do funeral de contou com a presença de dezenas de milhares de pessoas, quase cem chefes de Estado e de governo, além de celebridades, como Bono Vox e Charlize Theron. O ato durou cerca de quatro horas e foi bastante emocionante. Líderes mundiais, como a presidente Dilma Rousseff e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, discursaram e elogiaram a vida e a importância de Mandela. Pouco antes de morrer, Mandela havia solicitado a sua família uma cerimônia religiosa ecumênica, com cânticos e a presença de parentes e amigos. Apesar da chuva que caiu praticamente durante toda a cerimônia no estádio, as homenagens transcorreram em um ambiente festivo, com os presentes dispostos a celebrar a vida de Madiba – como o ex-presidente é conhecido em seu país – e não apenas lamentar sua morte. Antes de subir ao palco, Obama cumprimentou chefes de Estado que estavam na área do estádio reservada, entre eles, Raúl Castro – um gesto raro entre um presidente americano e um ditador cubano.
A última vez em que os comandantes dos dois países trocaram apertos de mão foi em 2000, quando Bill Clinton cumprimentou Fidel Castro após almoço oferecido pelas Nações Unidas aos chefes de Estado que participaram da Cúpula do Milênio. Aquela foi a primeira vez, segundo os registros oficiais, que o então ditador cubano trocou cumprimentos e falou diretamente com um presidente americano no exercício da função desde 1959, quando assumiu o poder.
O ponto alto da cerimônia foi o discurso do presidente americano. Confirmando a fama de grande orador, Obama magnetizou as atenções para si por mais de vinte minutos e fez um discurso pontuado por exemplos deixados por Mandela e passagens de sua trajetória política e pessoal. “O mundo agradece a existência de Nelson Mandela conosco”, disse Obama. “É difícil fazer um elegio para qualquer homem – capturar em palavras não só os fatos e datas que fazem uma vida, mas a verdade essencial da pessoa – sua alegrias privadas e lamentações; os momentos e qualidades singulares que iluminam a alma de alguém. O quão difícil é fazer isso para um gigante da história, que levou uma nação para o caminho da Justiça, e no processo mobilizou milhões em todo o mundo”, afirmou. E prossegiu: “Sua luta foi a luta de vocês. Seu triunfo foi o triunfo de vocês. A democracia é o legado dele para vocês”. Obama prosseguiu comparando Mandela a outros grandes nomes da história que também lutaram pela liberdade, como Ghandi, Martin Luther King e Abraham Lincoln. “Sua prisão começou na época de Kennedy e Kruschev e durou até a Guerra Fria. Como Lincoln, ele segurou seu país unido quando ele ameaçou se partir”, afirmou Obama. “É tentador lembrar Mandela como um ícone” – afirmou Obama – “Mas ele mesmo rejeitou um retrato tão sem vida”. O presidente do EUA prosseguiu lembrando comentários de Mandela: “Eu não sou um santo, a menos que você considere um santo como um pecador que continua tentando”.
(Terra)

