“A bela e aprazível Pituba em 1916”

A Pituba era um lugar ermo. Tão distante do centro da cidade que não tinha linha de bonde para o local, tão raros eram os moradores; o jeito era ir de carroça, ou de carro, pela estrada arenosa da Ubarana. A paisagem era de pequenas casas de pescadores, de taipa e cobertura de palha, e milhares de coqueiros que faziam sombra para tornar mais agradável a brisa da virada da maré. Mas já tinha um comércio primitivo, a taverna do Cassiano, onde podia se comer um peixe assado e beber uma boa pinga de folhas. A foto que ilustra este post é de 1916, quase um século transcorrido.
As terras pertenciam a Joventino Pereira da Silva e Manoel Dias da Slva que planejaram para o local um balneário, projeto assinado pelo engenheiro Theodoro Sampaio. Surgiram casas, pequenos sítios e em finais da década de 20 o bonde já chegava nas proximidades, tinha fim de linha em Amaralina e daí por diante as pessoas seguiam a pé pela praia. Andava-se muito naquele tempo, ninguém reclamava.
Em 1930 os baianos já contavam com a linha Amaralina-Pituba abastecida por ônibus tipo marinetes, em estrada de barro, e nesse fim de linha Antônio Lamartini que já tinha um comércio similar no Rio Vermelho, o Bar Avenida Saudável, montou o Bar Ponto Fin
Lamartini abriu a sua casa comercial em moldes mais modestos que a matriz onde contava com uma pousada, armazem, restaurante e uma sala de cinema. O Bar Ponto Final da pituba vendia apenas bebidas e petiscos, frios, e uma vez no ano, em 30 de outubro, Dia do Caixeiro, promovia no estabelecimento uma grande festa com música ao vivo e muita animação. Lamartini acreditou na proposta do balneário “em modelo idêntico aos das praias de banho das grandes cidades”. Não foi bem isso que aconteceu. Outros interesses, outros rumos.
Por Nelson Cadena


