Governo se omite e inflação passa meta em 12 meses: 6,59%

A maior relevância do anúncio sobre o estouro da meta de inflação em março (em taxa anualizada) é o fato de que ele encerra, de uma vez por todas, a discussão sobre a leniência do governo em relação ao avanço dos preços. Os números – e apenas eles – confirmam tal descaso. O que disse a presidente Dilma Rousseff sobre a orientação do governo em relação à inflação, há algumas semanas, em Durban, na África do Sul, comprovou-se – ainda que ela tenha desmentido rapidamente o fato, para tentar conter o stress do mercado. Dilma havia afirmado que não era preciso sacrificar o crescimento econômico para combater a inflação. Diante da concretude de um IPCA acumulado em 6,59% em 12 meses, seria bom que o governo parasse com movimentos hipócritas e jogo de palavras. O fato é que, ao longo dos dois anos de governo Dilma, a retórica econômica ditada pela própria presidente serviu para combater os inimigos errados – e deixou sair ilesa a inflação.
O mandato da presidente Dilma Rousseff começou, em 2011, com a inflação aquecida – resultado, em parte, dos gastos exacerbados no fim do governo Lula e do ritmo acelerado de crescimento puxado pelo consumo do mercado interno. O IPCA de janeiro de 2011 ficou em 0,83%, maior taxa mensal desde abril de 2005 (0,87%). No acumulado em 12 meses, o índice estava em 5,99% e acima do verificado nos 12 meses terminados no mês anterior (5,91%).
(Veja)

