Ensino de línguas estrangeiras fará parte de reforma do Ensino Médio

Ele destacou que esse foi um dos pontos da reformulação do Ensino Médio debatido por secretários de educação de todo o País, reunidos em São Luís (MA) na semana passada. O assunto também foi tema ontem de audiência pública na Câmara, proposta pelo deputado Francisco Praciano (PT-AM).
De acordo com o presidente da comissão, o ensino de línguas estrangeiras vai ser o 10º eixo temático dos seminários estaduais. “Queremos debater esse assunto com os governos estaduais, com a sociedade e com os professores e estudantes”, afirmou. Para o deputado Praciano, “o desconhecimento de outros idiomas pelo brasileiro tem feito com que indústrias especializadas prefiram se instalar na Argentina, em vez do Brasil”.
Durante a audiência pública, vários pontos que prejudicam o ensino de línguas estrangeiras nas escolas públicas foram identificados. Entre eles, a formação inadequada dos professores, ultrapassados modelos de ensino e aulas pouco motivadoras e desconectadas com o cotidiano dos alunos.
“Não podemos apostar na internacionalização do País se não atacarmos esse problema”, afirmou a professora da Faculdade de Educação da USP, Gretel Fernandéz, participante do encontro.
Identificado como modelo a ser seguido, o ensino de idiomas da rede pública do Distrito Federal foi elogiado por todos. O chefe do Núcleo dos Centros Interescolares de Línguas da Secretaria de Educação do DF, Juscelino Sant’Ana, revelou a receita do sucesso. “No DF, a política de ensino de línguas tem 38 anos de historia. É uma politica de governo que, independentemente do governante de plantão, tem continuidade”, afirmou.
Segundo ele, a formação sólida dos professores, aliada à carga horária extraclasse de 100 horas semanais, limite de alunos por classe e qualidade do ensino “faz com que os alunos, ao fim de três anos de curso, dominem completamente o idioma estudado”, destacou Sant’Ana. Para o professor de linguística aplicada da UnB, José Carlos de Almeida Filho, o atraso do Brasil no ensino de outros idiomas é explicado pela historia.
“Durante séculos, o acesso ao ensino foi negado à grande parcela da população, e sentimos isso nos dias atuais”, afirmou. Ainda segundo o professor, “por isso mesmo, o País deve redobrar os esforços para reverter esse quadro”.

