Mais de 50% dos artigos vendidos aos turistas não são feitos na Bahia


E se o mais baiano dos baianos não fosse tão baiano assim? Não existe um instrumento que possa medir quem pertence mais ou menos à Boa Terra, mas o Pelourinho e o Mercado Modelo são dois dos maiores símbolos do estado. Quem vai lá quer levar um pedacinho do lugar para casa. Daí o sucesso do artesanato da Bahia. Ops…da Indonésia.
Se você já comprou artesanato no Centro Histórico achando que é um trabalho essencialmente baiano não fique surpreso se descobrir que são produtos ‘made in’ Índia ou Indonésia. Também não é raro encontrar itens produzidos no Ceará, São Paulo ou Tocantins.
Segundo o secretário municipal do Desenvolvimento, Turismo e Cultura, Guilherme Bellintani, um levantamento realizado pela Empresa Salvador Turismo (Saltur) revelou que mais da metade do artesanato vendido por aqui não é produzido na Bahia.
‘A mercadoria chega em contêineres’, afirma artesãQuem conhece artesanato e está interessado num presente com a cara da Bahia não se interessa por produtos importados. Esta é a avaliação da presidente da Associação de Cultura e Arte (Cultuarte), Verônica Lemos.
“Mas a maioria dos compradores só quer levar a lembrancinha e não liga para a qualidade”, diz.
Ela afirma que a concorrência com os produtos estrangeiros é desleal. “Tem peças que a gente passa até seis dias fazendo. Não dá para cobrar qualquer coisa. Enquanto isso, eles vendem muito barato e a qualidade é quase descartável. Quem acaba sofrendo mais são os artesãos inicantes”.
Segundo Verônica, o Pelourinho e o Mercado Modelo são os campeões da importação. “Eles não têm nenhuma preocupação (com a originalidade). A gente vê a mercadoria chegando em contêineres”, contou.
Já Rose Aguiar, gerente de produção de eventos do Instituto Mauá, entidade do governo do estado que incentiva a produção de artesanato, vê a concorrência de outra forma. “No Mercado Modelo, as pessoas sabem que vão encontrar produtos de fora. Quem compra os nossos produtos vem atrás da identidade baiana”.
A gestora do instituto não acredita que os artigos importados sejam válidos como lembranças da Bahia. “Claro que o turista tem liberdade para comprar o que quer, mas a partir do momento que está em um país, a lógica é que vá comprar o que é do país”, defendeu.
(Ibahia)

