Copom reforça que Selic ficará estável por um bom tempo

O Banco Central reafirmou que deverá manter os juros básicos da economia no patamar atual de 7,25% ao ano por um longo período. É o que consta na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – realizada na semana passada – divulgada nesta quinta-feira. De acordo com os diretores, a inflação deve regredir para o centro da meta do governo, de 4,5%, mesmo que seja de um modo “não linear”, ou seja, com altos e baixos. No entanto, o próprio documento admite que se a taxa básica (Selic) e a taxa de câmbio ficarem inalteradas, a inflação será maior que o previsto no ano que vem.
“Considerando o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear”, confirma o documento.
Em outro trecho da ata, o Copom detalha o chamado “cenário de referência”. É uma das hipóteses de trabalho dos diretores que fazem previsões a partir da ideia de manutenção da taxa de câmbio em R$ 2,10 e de juros em 7,25% ao ano. Nessa conta, a inflação sobe.
“Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2012 elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de outubro e se posiciona acima do valor central de 4,5%”.
Para justificar a decisão de manter os juros no menor patamar da história, o Copom diz que a inflação de serviços ainda segue em níveis elevados, mas as pressões no segmento de alimentos e bebidas estão menores. Para chancelar o veredito, afirma que os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados principalmente por causa da retração do crédito nos principais blocos econômicos, apesar de diminuir a probabilidade da quebra de um país ou de um grande banco que causasse um efeito dominó.
Já no Brasil, o consumo das famílias deve continuar forte. E, para o Copom, os programas de concessão de serviços públicos e a recuperação da confiança dos empresários criam boas perspectivas para o investimento neste e nos próximos semestres. E os gastos do governo devem mudar de uma posição de neutralidade para expansionista.
No entanto, o Copom ainda diz acreditar que o governo cumprirá a meta de economia para pagar juros da dívida. Essa é uma hipótese descartada pela maioria dos analistas porque a União perdeu arrecadação por causa da crise e dos cortes de impostos para estimular a economia. O BC diz que espera que o objetivo de 3,1% do PIB seja cumprido não apenas neste ano, mas no ano que vem e no seguinte.
“A geração de superávit primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto e a percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo”.
No documento, o Copom mudou algumas previsões. Aumentou a projeção de reajuste no preço do gás de bujão, para 2012, de zero para 3,5%. Por outro lado, acelerou a queda da tarifa de telefonia fixa de -1,3% para -1,6%.
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