UE diz que acompanha crise no Paraguai com preocupação

Catherine Ashton, disse neste sábado que acompanha com “preocupação” os
acontecimentos no Paraguai, depois da destituição do presidente Fernando
Lugo. Ela também manifestou seu apoio ao povo paraguaio e anunciou que
vai entrar em contato com “todas as partes para o respeito da
democracia”, segundo a agência Ansa.
Um comunicado oficial emitido pelo bloco apontou que “Catherine Ashton
tomou conhecimento da rápida reação da União das Nações do Sul (Unasul) e
suas preocupações em relação à condução do processo”, referindo-se ao
julgamento político que aconteceu em menos de 48 horas. O informe
acrescentou que a representante “também acompanhou as discussões de
ontem na Organização de Estados Americanos (OEA) e celebrou sua decisão
de enviar uma missão ao Paraguai para acompanhar a situação”.
O comunicado informou, além disso, que a UE “manterá estreito contato
com os líderes regionais” sobre a crise política em Assunção. Neste
sábado, também Cuba condenou “energicamente” o ocorrido no Paraguai e o
governo expressou que a destituição de Lugo faz parte dos “atentados das
oligarquias” na região.
O governo de Raúl Castro denunciou que depois de “décadas de sangrentas
ditaduras militares que assassinaram milhares de pessoas” na América
Latina essa “estratégia violenta e antidemocrática os golpes tem sido
retomada”. Também o governo de El Salvador afirmou hoje que o que
aconteceu “se choca com os instrumentos internacionais como a Carta
Democrática da Organização de Estados Americanos (OEA) e a Carta
Interamericana de Direitos Humanos”.
Outros países como Chile, Peru, Brasil, Equador, Argentina, Uruguai,
Costa Rica, Venezuela e México já tinham manifestado preocupação e
desagrado pelo processo sofrido por Lugo. Alguns deles chegaram,
inclusive, a anunciar que não vai reconhecer o novo governo até que uma
nova eleição seja convocada.
No dia 15 de junho, um confronto entre policiais e sem-terra em uma área
rural de Cuaraguaty, ligada a opositores, terminou com 17 mortes. O
episódio desencadeou uma crise no Paraguai, na qual o presidente
Fernando Lugo, acusado pelo ocorrido, foi sendo isolado no xadrez
político. Seis dias depois, a Câmara dos Deputados aprovou de modo quase
unânime (73 votos a 1) o pedido de impeachment do presidente. No dia
22, pouco mais de 24 horas depois, o Senado julgou o processo e, por 39
votos a 4, destituiu o presidente.
inexistente chance de defesa do acusado provocaram uma onda de críticas
entre as lideranças latino-americanas. Lugo, por sua vez, não esboçou
resistência e se despediu do poder com um discurso emotivo. Em poucos
instantes, Federico Franco, seu vice, foi ovacionado e empossado. Ele
discursou a um Congresso lotado, pedindo união ao povo paraguaio –
enquanto nas ruas manifestantes entravam em confronto com a polícia -, e
compreensão aos vizinhos latinos, que questionam a legitimidade do
ocorrido em Assunção.(Terra)

