Desemprego entre jovens mulheres negras expõe persistência do racismo estrutural, afirma Ireuda Silva
A vereadora Ireuda Silva (Republicanos), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e vice da Reparação, manifestou preocupação diante dos dados divulgados pela Rede Multiatores MUDE com Elas e pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), que apontam que a taxa de desemprego entre mulheres negras de 14 a 17 anos chega a 24,7% no Brasil.
Para Ireuda, os números revelam que, apesar dos avanços registrados no mercado de trabalho nos últimos anos, as desigualdades raciais e de gênero continuam impondo barreiras significativas à ascensão social e econômica das jovens negras.
“Os dados confirmam uma realidade que as mulheres negras enfrentam diariamente. Mesmo quando avançamos em escolaridade e qualificação, continuamos encontrando obstáculos maiores para acessar oportunidades de emprego, renda e crescimento profissional. Isso é resultado de um racismo estrutural que ainda marca profundamente a sociedade brasileira”, afirmou a vereadora.
Segundo o estudo, as mulheres negras apresentam os piores indicadores de desocupação, informalidade, desalento e rendimento, recebendo, em média, menos da metade do rendimento dos homens brancos. Para Ireuda, esse cenário exige uma atuação firme do poder público e da iniciativa privada.
“Não basta abrir portas; é preciso garantir condições para que essas mulheres permaneçam e prosperem. Precisamos ampliar políticas de qualificação profissional, fortalecer programas de inclusão produtiva, incentivar a diversidade nas empresas e ampliar o acesso a creches e redes de apoio, permitindo que mais mulheres possam estudar e trabalhar com dignidade”, destacou.
A parlamentar também ressaltou a importância de políticas voltadas para os territórios periféricos, onde vivem grande parte das jovens afetadas pelas desigualdades apontadas no levantamento.
“Quando falamos de mulheres negras, estamos falando também de questões ligadas ao território, à mobilidade urbana, ao acesso aos serviços públicos e às oportunidades. Combater essas desigualdades exige um olhar integrado e permanente do Estado”, observou.
Ireuda lembrou ainda que sua trajetória política tem sido marcada pela defesa da autonomia econômica das mulheres, especialmente das mulheres negras, por meio de iniciativas voltadas à empregabilidade, capacitação e combate às desigualdades.
“Não haverá desenvolvimento pleno enquanto milhões de mulheres negras continuarem sendo deixadas para trás. A promoção da igualdade de oportunidades é uma questão de justiça social, mas também de desenvolvimento econômico e humano para todo o país”, concluiu.
Ascom



