InternacionaisSem categoria

Egito confirma 2º turno entre Irmandade Muçulmana e membro do antigo regime

Mohammed Morsi (à esquerda) saúda seus seguidores na cidade de Banha. Ahmed Shafiq (à direita) participa de comício. O segundo turno entre os dois ocorrerá em junho (Foto: Khaled Elfiqi/EFE)
O Egito confirmou, nesta segunda-feira (28), os candidatos que disputarão o segundo turno das eleições presidenciais. Mohammed Mursi, da Irmandade Muçulmana (islamitas), enfrentará Ahmed Shafiq, o último primeiro-ministro da era Hosni Mubarak. A votação será feita nos dias 16 e 17 de junho.
Em entrevista coletiva, o presidente da Comissão Eleitoral, Farouk Sultan, anunciou que os candidatos foram os dois mais votados no primeiro turno realizado nos últimos dias 23 e 24, com pouco mais de 250 mil votos de diferença entre ambos.
A taxa de participação neste pleito foi de 46%, bastante menor que a de 60% marcada no início das eleições legislativas em novembro passado.
Do total dos votos emitidos, Mursi obteve 5,7 milhões (24,4%), enquanto Shafiq recebeu 5,5 milhões (23,3%), segundo os resultados oficiais divulgados nesta segunda-feira. Os números estão de acordo com os já divulgados pelas equipes de campanha e pela imprensa egípcia.
A Presidência do Egito será disputada por candidatos que despertam temores em dois amplos setores da sociedade. Se a candidatura do islamita Mursi representa a dos ultraconservadores da Irmandade Muçulmana, que já dominam com folga a composição do atual Parlamento, a de Shafiq é a do homem do antigo regime que foi desbancado pela revolução e que agora pode chegar ao poder de forma democrática.
Nos últimos dias, ambos tentaram se mostrar conciliadores e apelaram à unidade dos egípcios, posicionando-se do lado da revolução.
Outra das grandes surpresas dessas eleições foi a do esquerdista Hamdeen Sabahi, que ficou somente cerca de 700 mil votos atrás do segundo colocado ao receber um total de 4,8 milhões de votos (20,4%).
Em quarto e quinto lugar ficaram, respectivamente, dois dos candidatos que partiam como favoritos: o islamita Abdel Moneim Abul Futuh, que obteve 17,2% de apoio, e o ex-secretário-geral da Liga Árabe Amr Moussa, com 10,9%.

Estes últimos se pronunciaram nesta segunda-feira sobre o resultado do pleito. Embora não tenham apoiado expressamente nenhum dos finalistas, coincidiram em rejeitar o retorno ao antigo regime, em alusão indireta a Shafiq.
A reação não tardou nas ruas e centenas de pessoas, indignadas com a presença do ex-primeiro-ministro no segundo turno, se concentraram na simbólica praça Tahrir, no Cairo.

(Época)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *