Por uma nova gestão na Petrobrás

Aos companheiros e às companheiras Fruto do nosso trabalho, a Petrobras levou o Brasil à autossuficiência em petróleo, descobriu o pré-sal e deverá chegar a 2020 produzindo 6,4 milhões de barris por ano. No entanto, em matéria de gestão a Companhia parece caminhar a passos lentos. A oportunidade de termos um representante dos empregados no Conselho de Administração (CA) da empresa para ampliar nossa discussão sobre a Petrobrás que serve para construir o Brasil independente, está sendo desperdiçada pela forma como as eleições foram impostas por uma comissão formada por gerentes e sindicalistas da FUP.
Lamentavelmente, a ânsia de ocupar cargos levou dirigentes sindicais a esquecerem os princípios democráticos e a desprezarem os fóruns deliberativos da categoria para sufocar nossas bases que se vêm praticamente impedidas de apresentar outras ideias que não sejam aquelas brotadas das “iluminadas” cabeças desses dirigentes sindicais.
Se fosse prá a FUP indicar, precisava de eleição?
Estamos diante de uma eleição em que os candidatos da categoria não podem expressar suas propostas em campanha. É essa democracia que queremos? É essa Petrobras que queremos? Que legitimidade terá o conselheiro eleito em um processo como esse? Se era para a FUP indicar o nosso representante para o Conselho, pra que precisava de eleição?
Um sindicalista se tornar gerente por indicação de seu partido ou que seja candidato a uma eleição é legitimo e até pode significar um processo de democratização. O equivoco está na transformação das entidades sindicais em partido sufocando as ideias que sejam brotadas das bases. Afinal, nossas entidades sindicais não podem ser parte numa eleição interna na categoria, pois foram concebidas para representar a categoria como um todo e não o interesse particular da parte dirigente. Daí serem ilegítimas essas candidaturas que se utilizam das estruturas dos nossos sindicatos para se promoverem.
Só um Conselheiro independente pode influir para uma nova prática de Gestão
É preciso eleger um representante para o CA que seja independente da gerência da Petrobras que se encontra mesclada por sindicalistas que optaram pela manutenção da visão arcaica de gerenciar, mantendo ranços autoritários e antidemocráticos, desprezando as potencialidades dos trabalhadores de onde poderão surgir novos procedimentos técnicos e administrativos para a renovação da gestão da empresa. Só com independência esse representante poderá influir para que se construa uma nova governança fundada na sustentabilidade e na responsabilidade social e ambiental.
Governança
- Superar a fragmentação da empresa onde as unidades operacionais se comportam como “empresas independentes” e gerentes que ultrapassam os limites das questões técnicas e administrativas;
- Como ocorreu com a atividade jurídica e de contabilidade, unificar a Comunicação, Recursos Humanos, Suprimento, que são fragmentados e faz prevalecer interesses localizados divergentes dos da Companhia;
- Utilizar critérios técnicos e administrativos para a ocupação dos cargos e reduzir os interesses de grupos políticos;
- Ampliar a transparência da gestão da empresa.
Recursos humanos
- Implantar na de gestão de pessoal a valorização das potencialidades dos técnicos e operários. E dentro disso, ampliar os investimentos em capacitação;
- Acabar com os deslocamentos de engenheiros e geólogos de suas funções originais para exercerem gerências para os quais não foram preparados ou não possuem formação a exemplo de suprimento, recursos humanos, gestão de pessoas, segurança, meio ambiente, saúde, administração, contabilidade.
Terceirização
- Retirar das áreas estratégicas a mão de obra terceirizada;
- Assegurar a execução da política de saúde e segurança da companhia para os terceirizados;
- Estabelecer medidas eficazes de notificação de acidentes, saúde e outros desgastes que ficam excluídos em função do descarte e rotatividade da mão de obra terceirizada;
- Visando o trabalhador, eliminar o passivo trabalhista que, por solidariedade obrigatória às empreiteiras fraudulentas, acabam sendo de responsabilidade da Companhia;
- Promover efetivamente a primeirização buscando reduzir as 270 mil contratações terceirizadas.
Contratação
- Aperfeiçoar a política de contratação de material e serviços, dentre outras coisas, considerando a redução de custos e a garantia de cumprimento da legislação brasileira, particularmente, trabalhista e ambiental.
Saúde
- Incorporar como item da política de saúde empresarial o comportamento gerencial que resulta em assedio e stress dos empregados, assim como investir em melhorias de processo e equipamentos de proteção coletiva para evitar contaminação química e ruído excessivo.
Responsabilidade social e ambiental
- Desenvolver novos procedimentos e ações que promova a recuperação do extenso e grave passivo ambiental;
- Inserir medidas que assegure e a preservação da biodiversidade e dos recursos hídricos das áreas de influência direta das ações de exploração, produção, transporte e refino da empresa;
- Cumprir o Programa Petrobras Agenda 21 nas próprias unidades e nas áreas de ações direta das atividades da companhia;
- Adotar ações de sustentabilidade com redução na geração de resíduos, efluentes e emissões e o aproveitamento de recursos locais tais como irradiação solar, chuva, vento, resíduos e esgotos.
Para assegurar este importante debate dentro do CA e na categoria petroleira, vote em Luiz Aboim para representar os trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobras!
Luiz Aboim: É Bacharel em Administração pela Uneb, Pós Graduado em Gestão de Pessoas pela UFBA, trabalha na Petrobrás como Técnico de Manutenção Sênior, admitido em 1979, lotado hoje na P-33, Bacia de Campos. Participou da construção da CUT e do PT onde milita pela construção da nação brasileira voltada para os interesses dos trabalhadores. Foi diretor do Sindipetro-Bahia na reconstrução do sindicalismo combativo. Foi um dos organizadores do 1º Seminário Nacional de Saúde dos Petroleiros, introduzindo a luta por saúde e segurança na pauta do sindicalismo petroleiro. Foi membro do Comando Nacional dos Petroleiros, precursor da FUP, tendo sido parte das coordenações de vitoriosas greves da categoria petroleira e de lutas pela democratização do país a exemplo das Diretas já; do Fora Collor; em defesa do monopólio e da Petrobras e de outras estatais e contra as políticas privatizantes e entreguista do neoliberal FHC.


