Marta diz que censo de população de rua é oportunidade para Salvador
A vereadora Marta Rodrigues (PT) afirmou nesta sexta-feira (12) que a realização do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua, que terá Salvador como uma das cidades do projeto-piloto, representa uma oportunidade histórica para a capital baiana. O anúncio foi feito na terça-feira (9) pelo IBGE.
Para Marta, a cidade poderá enfrentar suas desigualdades sociais e conhecer a real dimensão de um problema que, há anos, vem sendo tratado com números que não refletem a realidade observada nas ruas. Segundo ela, o censo poderá esclarecer divergências existentes há anos entre os dados apresentados pelo poder público municipal e os levantamentos realizados por pesquisadores e entidades que atuam diretamente com a população em situação de rua.
“Esperamos que o IBGE apresente um retrato fiel da situação e acabe com as distorções do poder público sobre essa realidade. Não se trata de disputar números, mas de reconhecer que a situação vivida nas ruas de Salvador é muito mais complexa do que aquilo que historicamente foi apresentado pelo município. Quem vive o Centro, a Cidade Baixa, os bairros populares e os principais corredores urbanos da cidade percebe isso todos os dias”, pontua Marta.
A vereadora lembra que, ao longo dos últimos anos, a Prefeitura de Salvador trabalhou com estimativas que giravam em torno de 5 mil a 6 mil pessoas em situação de rua. Entretanto, pesquisas independentes apontaram números superiores. Em 2017, um levantamento realizado pelo Projeto Axé, em parceria com a Universidade Federal da Bahia e outras instituições, estimou que a capital baiana poderia ter até 17 mil pessoas vivendo nas ruas.
Marta lembra ainda que o mais recente Mapeamento, Contagem e Caracterização da População em Situação de Rua em Salvador, coordenado pelo Projeto Axé e divulgado em 2024, voltou a demonstrar a necessidade de um diagnóstico aprofundado sobre o tema. “Não se pode apresentar números abaixo da realidade para se eximir da responsabilidade de produzir e executar políticas públicas voltadas ao enfrentamento do problema”, afirma.
Centros POP
Marta Rodrigues chama atenção para a rede de atendimento destinada à população em situação de rua. Apesar de Salvador possuir uma população estimada em mais de 2,5 milhões de habitantes, a cidade conta com apenas quatro Centros POP, localizados no Dois de Julho, Mares, Sete Portas e Itapuã.
“São apenas quatro Centros POP para uma demanda espalhada por toda a cidade. O Centro Histórico sozinho concentra centenas de pessoas em situação de vulnerabilidade extrema. A estrutura existente não acompanha o crescimento do problema”, sinaliza.
Ainda segundo a vereadora, parte significativa dessa população convive com transtornos mentais e dependência química, especialmente relacionados ao uso de álcool, crack e outras drogas. Ela defende que a ampliação da rede de saúde mental também faça parte da discussão. Atualmente, Salvador possui três Caps Álcool e Drogas (Caps AD) voltados ao atendimento especializado de pessoas com problemas decorrentes do uso abusivo de substâncias psicoativas.
“Salvador não pode continuar tratando uma das maiores questões sociais urbanas da sua história com estruturas claramente insuficientes. A discussão sobre população em situação de rua não pode ser separada das políticas de saúde mental, redução de danos, acolhimento e reinserção social. O censo do IBGE pode ser o primeiro passo para que Salvador finalmente enfrente essa realidade com base em dados concretos e não em estimativas que não correspondem ao que a cidade vê todos os dias”, avalia.
Câmara Municipal de Salvador
Foto: Visão Cidade



