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Sistema Ferry Boat entregue à própria sorte

A cada dia fica mais evidente a situação de abandono que envolve o Sistema Ferry Boat da Bahia. O serviço, essencial para a mobilidade entre Salvador e a Ilha de Itaparica, parece estar sendo entregue à própria sorte, enquanto a população enfrenta um sistema cada vez mais precário, com embarcações em condições questionáveis, terminais sem estrutura adequada e ausência de respostas satisfatórias para as constantes reclamações dos usuários.

Não se compreende por que o Governo do Estado da Bahia, responsável pelo serviço público, permite que uma estrutura tão importante para a população chegue a esse nível de degradação. O sistema, que em outros momentos já chegou a contar com uma frota de aproximadamente 12 embarcações em operação, hoje convive com uma realidade muito diferente. Das embarcações existentes, poucas estão efetivamente em condições de realizar a travessia, e, em muitos momentos, apenas duas conseguem operar.

O problema começa antes mesmo do embarque. O usuário enfrenta dificuldades desde o acesso aos terminais, a compra do bilhete e a espera pela embarcação até o desembarque no destino. Dentro dos ferries, as condições também são motivo de preocupação: sujeira, falta de manutenção, estrutura deteriorada e ausência do conforto mínimo que deveria ser oferecido a quem paga por um serviço público de transporte.

As reclamações são constantes. Basta conversar com os usuários para perceber a insatisfação de quem depende diariamente do Ferry Boat para trabalhar, estudar, transportar mercadorias, visitar familiares ou simplesmente se deslocar entre a Ilha de Itaparica e Salvador. O que mais chama a atenção, entretanto, é a aparente falta de respostas efetivas diante de tantos problemas.

Enquanto isso, o Governo do Estado anuncia, em versos e prosa, a construção da Ponte Salvador–Itaparica, apresentando o empreendimento como uma obra histórica e capaz de transformar a mobilidade e o desenvolvimento da região. É legítimo pensar no futuro e defender grandes investimentos em infraestrutura. Mas não se pode construir o futuro destruindo, por abandono, aquilo que ainda é fundamental no presente.

O Ferry Boat é patrimônio público e continua sendo uma das principais alternativas de transporte entre Salvador e a Ilha de Itaparica. A degradação das embarcações e dos terminais representa, portanto, não apenas um problema administrativo, mas também um desrespeito ao cidadão que utiliza o sistema diariamente e aos visitantes que chegam à Ilha de Itaparica.

É preciso lembrar que o Ferry Boat também faz parte da experiência turística da Bahia. Muitos visitantes utilizam a travessia para conhecer a Ilha de Itaparica e outros destinos da região. Alguns chegam até mesmo com a expectativa de realizar a travessia marítima pela primeira vez. Entretanto, o que encontram é uma estrutura que, em vez de representar a Bahia com qualidade, transmite uma imagem de abandono e descaso.

A situação se torna ainda mais preocupante quando se observa o destino de embarcações que já deixaram de operar. Dois ferries já foram perdidos e permanecem como símbolos de uma estrutura que não recebeu a atenção necessária. E fica a pergunta: qual será o destino das demais embarcações que ainda estão paradas ou operando sem a manutenção adequada?

Quem fiscaliza? Quem acompanha? Quem cobra? Quem responde à população?

É necessário que o Governo do Estado da Bahia se manifeste de maneira clara sobre o futuro do Sistema Ferry Boat. Também é fundamental que a agência responsável pela fiscalização e acompanhamento do serviço exerça plenamente sua função, cobrando qualidade, manutenção, segurança, regularidade e respeito aos usuários.

Não se trata de ser contra a Ponte Salvador–Itaparica. Pelo contrário. Trata-se de defender que, enquanto a nova estrutura não se torna realidade, o serviço atualmente existente seja preservado e oferecido com dignidade.

A população não pode continuar pagando por um serviço que, em determinados momentos, parece funcionar no limite de suas possibilidades. Patrimônio público não pode ser tratado como algo descartável. Embarcações, terminais e toda a estrutura do Ferry Boat representam investimentos realizados com recursos públicos e pertencem à sociedade.

Fica, portanto, a pergunta: a quem interessa toda essa degradação?

Até quando o patrimônio público continuará sendo deixado de lado? Até quando os usuários terão de conviver com um sistema que já foi referência e hoje enfrenta uma realidade tão distante daquela que a população merece?

O Ferry Boat não pode ser simplesmente abandonado à própria sorte. O povo da Bahia merece respeito, transparência, fiscalização e um transporte público digno.

Com a palavra, o Governo do Estado da Bahia.
Com a palavra, a agência responsável pela fiscalização do serviço.
Com a palavra, os responsáveis pelo Sistema Ferry Boat.

Visão Cidade

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