Sessão solene de autoria do vereador Téo Senna celebrou os 80 anos e a trajetória de um dos nomes mais importantes da música baiana
Sessão solene de autoria do vereador Téo Senna celebrou os 80 anos e a trajetória de um dos nomes mais importantes da música baiana
Uma noite de emoção, música e reconhecimento à história da cultura baiana marcou a Câmara Municipal de Salvador na noite de quinta-feira (27). Por iniciativa do vereador Téo Senna (PSDB), o cantor e compositor Paulo Roberto Figueredo de Oliveira, mais conhecido como Paulinho Boca de Cantor, recebeu a Medalha do Mérito Cultural em sessão solene realizada no Centro de Cultura da Casa. Aos 80 anos, o artista foi homenageado diante de familiares, amigos, músicos e personalidades da cultura, em uma celebração que reuniu lembranças de sua trajetória e canções que atravessaram gerações.
Para Téo Senna, homenagear Paulinho Boca de Cantor é reconhecer uma parte da própria história cultural de Salvador e da Bahia. “Paulinho chega aos 80 anos com aquilo que poucos artistas conseguem conquistar: uma obra que atravessa gerações sem envelhecer. Existem músicas que pertencem a uma época. E existem artistas que conseguem ultrapassar o seu próprio tempo. Paulinho é um deles”, afirmou o vereador sob emoção.
Também emocionado, Paulinho Boca agradeceu a homenagem e destacou o significado de receber a medalha. “É uma honra, uma alegria e um privilégio estar vivendo este momento, recebendo essa medalha nessa Casa que faz parte da nossa história e que cuida do destino do nosso povo. Estou transbordando de felicidade”, declarou. O cantor agradeceu a Téo Senna pela honraria, que definiu como o reconhecimento de “uma longa trajetória de luta pela nossa cultura, nossa música”.
Ao relembrar sua caminhada, Paulinho falou da relação com a música desde a infância no município de Santa Inês, no interior da Bahia, e dos sonhos que o acompanharam ao longo da vida. “Acho que a mágica da vida é exatamente a gente não ter como prever os acontecimentos. Sonhamos com eles. E, se o sonho for bom, acontece. E os sonhos foram acontecendo e hoje estou aqui, dando continuidade a esses sonhos”, disse. Ao falar dos Novos Baianos, ressaltou a permanência da obra do grupo, que, segundo ele, “continua viva e sendo referência até hoje para novas gerações”.
Carreira
Nascido em Santa Inês, em 1946, Paulinho iniciou profissionalmente sua carreira em Salvador, em 1963, como ‘crooner’ da Carlito e sua Orquestra e, posteriormente, da Orquestra Avanço, período em que surgiu o nome artístico Paulinho Boca de Cantor. Em 1968, o encontro com Moraes Moreira e Luiz Galvão abriu caminho para a formação dos Novos Baianos, que depois reuniu Baby do Brasil e Pepeu Gomes e se tornou um dos grupos mais influentes da música popular brasileira.
Com os Novos Baianos, Paulinho participou de uma experiência musical que aproximou samba, rock e diferentes referências da música brasileira. Em 1972, o grupo lançou ‘Acabou Chorare’, álbum que se tornou um marco da MPB e décadas mais tarde foi eleito pela ‘Rolling Stone’ Brasil como o maior disco brasileiro da história. Paulinho também teve participação na transformação do Carnaval de Salvador, com a presença da voz cantada nos trios elétricos, e construiu uma sólida carreira solo.
Sua contribuição à cultura ultrapassou os palcos. Paulinho também se dedicou à produção cultural, à pesquisa e à preservação da memória musical brasileira, com trabalhos como Do Lundu ao Axé-Bahia de Todas as Músicas; A Bossa do Boca; A História da Música na Bahia e Forró do Boca. Aos 80 anos, permanece em atividade, realizando shows, projetos e reencontros especiais com os Novos Baianos.
A dimensão afetiva da homenagem ficou evidente com a presença da esposa do cantor, Virgínia Amaral; do filho Roberto Oliveira; do irmão José Raimundo de Oliveira; além de outros familiares e amigos que acompanharam diferentes momentos de sua vida. A sessão também ganhou depoimentos em vídeo de artistas como Marisa Monte, Daniela Mercury e Luiz Caldas, entre outros, que prestaram homenagem ao cantor e ressaltaram sua contribuição à música brasileira.
Música
Um dos momentos mais especiais da noite aconteceu quando o próprio homenageado transformou a solenidade em música. Acompanhado pelo filho ao violão, Paulinho cantou Mistério do Planeta e Preta Pretinha, dois clássicos dos Novos Baianos, aproximando ainda mais público, memória e afeto em uma sessão marcada por aplausos e emoção.
Ao entregar a medalha, Téo Senna destacou que a homenagem não representa o encerramento de uma trajetória, mas a celebração de uma história que permanece viva. “Uma cidade é construída por suas ruas e avenidas, claro. Mas também é construída por suas músicas, por seus artistas, por suas lembranças, pelos sons que ficam guardados na memória de seu povo”, afirmou. “Para quem fez da vida música, 80 anos não são um ponto final. São uma pausa bonita entre um verso e outro”, disse Senna.
Além do autor da homenagem e do homenageado, compuseram a mesa solene o advogado e procurador do município de Salvador Gustavo Halseman; o advogado e irmão do homenageado José Raimundo de Oliveira; além dos médicos Roberto Prates e Silvestre Sobrinho e o presidente da Fundação Gregório de Matos (FGM), Fernando Guerreiro. A solenidade foi encerrada sob o clima que marcou toda a noite: o de reconhecimento a uma vida dedicada à música e à cultura da Bahia.
CMSA


