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Ferry Boat: Um caos sem precedentes até quando a população terá que conviver com o descaso no sistema Ferry Boat?

Mais uma vez, surge uma pergunta para a qual a população não encontra resposta das autoridades competentes — ou daqueles que deveriam ser responsáveis pelo sistema: quem responde pelo atual estado de abandono do Ferry Boat que realiza a travessia Salvador–Itaparica?
Neste final de semana, mais uma vez, os usuários do sistema enfrentaram uma situação que deixa muito a desejar. O descaso é evidente, a falta de respeito com o cidadão é enorme e a ausência de informações nos terminais agrava ainda mais o problema.
Os terminais e as embarcações aparentam estar completamente abandonados. Ambientes sujos, desconfortáveis e sanitários em condições inadequadas para utilização. Há relatos de sujeira tanto nos banheiros masculinos quanto nos femininos. E o cidadão, que paga pelo serviço, fica sem saber a quem recorrer ou quem efetivamente fiscaliza e responde por essa situação.
Quem é o responsável por permitir que um serviço público de tamanha importância chegue a esse nível de degradação?
Essa situação não começou agora. O processo de deterioração do sistema Ferry Boat vem se arrastando há décadas. Houve um período em que o sistema chegou a operar com cerca de 12 embarcações e atendia a população de maneira muito mais eficiente. Hoje, o cenário é completamente diferente.
Embarcações foram retiradas de operação e algumas chegaram a ser transformadas para outras finalidades, inclusive como pesqueiros e equipamentos relacionados ao turismo. A ideia de aproveitar essas estruturas para fomentar o turismo pode até ser positiva. O que não pode ser considerado positivo é o retrocesso de um sistema de transporte público que deveria estar cada vez mais moderno, eficiente e confortável para os usuários.
O Ferry Boat é administrado sob responsabilidade do Governo do Estado da Bahia, e é justamente por isso que a sociedade precisa de respostas.
O que está acontecendo com esse patrimônio público?
Na tarde deste domingo, no Terminal de Bom Despacho, a situação chegou a um nível difícil de aceitar. Um passageiro pedestre que chegou por volta das 13h30 só conseguiu realizar a travessia aproximadamente às 15h. Para quem depende do serviço, esse tempo de espera é absolutamente intolerável.
A situação também atingiu os passageiros que estavam em veículos. Usuários começaram a entrar nas áreas de espera por volta das 14h, enquanto havia previsão de embarque somente para as 17h ou 17h30.
Isso não pode ser tratado como algo normal.
Estamos falando de um serviço essencial para milhares de baianos e visitantes que precisam se deslocar entre Salvador e a Ilha de Itaparica.
E existe outra questão que precisa ser esclarecida.
Fala-se na chegada de duas novas embarcações. Fala-se também que o sistema possui sete embarcações. Mas, na prática, o usuário muitas vezes enxerga apenas três em operação — e, em determinados momentos, uma quantidade ainda menor.
Então, ficam algumas perguntas:
Onde estão as demais embarcações?
Em que condições elas se encontram?
Por que não estão operando?
Quem fiscaliza a manutenção e a conservação dessas embarcações?
E, principalmente:
Se duas novas embarcações realmente chegarem, o que será feito para garantir que elas sejam efetivamente utilizadas em benefício da população?
Não adianta colocar novas embarcações em um sistema que continua com terminais deteriorados, falta de informação, problemas de organização, longas filas e condições inadequadas para os usuários.
O cidadão não pode continuar pagando a conta de uma administração que, ao longo dos anos, permitiu a deterioração de um patrimônio público tão importante.
O Ferry Boat que conhecemos nas décadas de 1980, 1990, nos anos 2000 e até o início da década de 2010, apesar de todos os seus problemas, apresentava condições muito mais aceitáveis do que as que encontramos atualmente.
Hoje, infelizmente, o que se vê é um sistema que parece caminhar na direção contrária da modernização.
E diante da possibilidade da construção da Ponte Salvador–Itaparica, surge ainda outra pergunta que não pode ser ignorada:
Será que existe algum interesse em deixar o sistema Ferry Boat se degradar ainda mais diante da futura operação da ponte?
Não estamos afirmando que isso esteja acontecendo. Estamos apenas levantando uma questão que merece ser respondida de forma transparente pelas autoridades responsáveis.
A população da Bahia merece saber:
A quem interessa a degradação do sistema Ferry Boat?
A quem interessa jogar fora tantos recursos públicos em um serviço que, ao longo dos anos, vem apresentando sinais de abandono?
Quem será responsabilizado por essa situação?
O Ferry Boat é um patrimônio público e um serviço essencial para a mobilidade entre Salvador e a Ilha de Itaparica. Não pode ser tratado como se a população não tivesse direito a um transporte digno, seguro, eficiente e confortável.
Senhores responsáveis pelo Governo do Estado da Bahia: a população está esperando respostas.
Não basta anunciar novas embarcações. É preciso apresentar um plano claro para recuperar o sistema, melhorar os terminais, garantir manutenção adequada, oferecer informações aos usuários e, acima de tudo, devolver dignidade a quem utiliza diariamente esse serviço.
O povo baiano merece respeito.


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