Preços e peso: Os vilões do consumidor

Quem frequenta supermercados já percebeu uma prática cada vez mais comum nas prateleiras: a redução da quantidade dos produtos sem a correspondente diminuição dos preços. Um dos exemplos mais conhecidos é o leite em pó, que antes era vendido em embalagens de 1 kg e hoje, em muitos casos, aparece com apenas 750 gramas. O problema é que o preço continua praticamente o mesmo ou, em algumas situações, até mais alto.
Para o consumidor, essa realidade é difícil de compreender. Afinal, se a quantidade diminui, o valor deveria acompanhar essa redução. No entanto, ocorre exatamente o contrário: o peso cai, mas o preço permanece ou aumenta. Na prática, o cidadão paga mais para levar menos para casa.
Essa estratégia é legal, pois as informações sobre peso e quantidade estão descritas nas embalagens. Porém, do ponto de vista moral, muitos consumidores se sentem prejudicados. Frequentemente, as mudanças são apresentadas de forma discreta, em letras pequenas, dificultando a percepção imediata de quem realiza suas compras no dia a dia.
Quando o consumidor finalmente percebe a alteração, constata que está pagando mais caro por uma quantidade menor de produto. É uma situação que afeta diretamente o orçamento das famílias, especialmente das que possuem renda mais limitada.
Ao mesmo tempo, ouvimos frequentemente que a economia está melhorando, que a inflação está sob controle e que o poder de compra da população está aumentando. Mas como falar em aumento do poder de compra quando os produtos estão cada vez menores e mais caros? Muitos itens já não possuem as quantidades tradicionais de antigamente. As embalagens diminuem, enquanto os preços seguem em trajetória oposta.
As grandes redes de supermercados e atacadistas utilizam estratégias de marketing que muitas vezes confundem o consumidor. Embalagens grandes e promocionais passam a impressão de vantagem, mas nem sempre representam economia real. Por isso, é fundamental que o cidadão observe atentamente o peso, o volume e o preço por unidade de medida antes de concluir sua compra.
Os órgãos de defesa do consumidor, como os Procons, precisam intensificar a fiscalização e ampliar as campanhas de orientação à população. Embora a prática seja permitida pela legislação, o consumidor tem o direito de ser informado de forma clara e transparente sobre qualquer alteração nas características dos produtos.
Mais do que nunca, é necessário atenção. O consumidor brasileiro não pode ser induzido a acreditar que está comprando a mesma quantidade de sempre quando, na verdade, está levando menos produto para casa e pagando cada vez mais por isso.
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