O matuto: Na roça a gente também pensa
Na roça tem cabresto, na roça tem dono, na roça tem “eu mando”. Na roça, dizem que tem de tudo.
Pois é… cada coisinha dessas que você leu aí em cima ainda acontece. Acontece aqui, acontece em muitas outras roças por esse Brasil afora. Estamos falando das atitudes daqueles que se acham donos do lugar.
A roça de hoje, em muitos cantos, pouco mudou. Parece que o tempo dos coronéis ficou para trás, mas não ficou não. O “eu mando, eu quero, tem que ser do meu jeito” continua vivo — só que agora vem disfarçado, mais sutil, mais silencioso.
Os coronéis de hoje agem diferente: controlam, influenciam, tentam fazer o povo não pensar, não estudar, não ter opinião própria. Querem um povo que não cresça, que não tenha acesso à saúde, ao transporte, à dignidade. No pensamento deles, ao povo da roça basta uma enxada, uma pá, uma foice e um animal para ir e vir.
E assim vão mantendo o cabresto. Batem na mesa, gritam, desrespeitam — às vezes de forma aberta, às vezes com tapinhas nas costas e promessas vazias. Criam a imagem de “bonzinhos”, de “salvadores”, mas, no fundo, querem mesmo é mandar.
Enquanto isso, o povo sofre, chora, geme. Falta o básico, falta quase tudo. E o pior: muitos não podem nem levantar a voz, porque quem manda — ou pensa que manda — é o “doutor coronel”.
E quando chega o tempo de eleição, aí é que tudo aparece. Reuniões, pressões, ameaças veladas: “vote em quem eu mandar, senão você já sabe…”. É o medo tentando falar mais alto que a liberdade.
Mas a roça precisa acordar.
Precisa entender que tem escolha. Que ninguém é obrigado a seguir ordem de coronel nenhum. Que estudar, pensar, crescer e ter opinião não é favor — é direito.
Muitas vezes, tentam até impedir o povo de buscar conhecimento, porque sabem que um povo consciente não aceita cabresto.
Então acorda, povo da roça.
Você é maior do que qualquer imposição, mais forte do que qualquer ameaça.
Vá à luta, busque seus direitos, conquiste seu espaço. Porque é você quem faz a roça crescer.
As eleições estão chegando. Escolha quem te represente de verdade — não quem queira mandar em você.
Você tem o direito de decidir, de falar em alto e bom som:
“Escolhi com consciência, dentro das minhas convicções. Não sou pau mandado.”
Porque, na roça — e em qualquer lugar — a gente também pensa.
Visão Cidade



