Como os governos petistas emperraram a capacidade de refino do Brasil
O Brasil vive hoje um paradoxo energético perigoso. Enquanto comemora recordes de extração de petróleo bruto no pré-sal, o país assiste, impotente, à escalada dos preços do diesel nas bombas, empurrada pela explosão do barril de Brent — que rompeu a barreira dos US$ 100 após o fechamento do Estreito de Ormuz, no rastro do conflito entre Irã e Estados Unidos. Essa vulnerabilidade não é fruto do acaso, mas o resultado direto de escolhas estratégicas desastrosas feitas durante as gestões do Partido dos Trabalhadores.
O diagnóstico é claro: o Brasil construiu 15 refinarias entre 1954 e 1999, consolidando uma base industrial sólida. Ao assumir o poder em 2003, a promessa era a da “autossuficiência total”. Entre 2002 e 2015, foram injetados cerca de 100 bilhões de dólares no setor de refino. O resultado prático, contudo, foi um dos maiores desperdícios de capital da história republicana, marcado por projetos faraônicos que drenaram recursos sem entregar a capacidade prometida.
Os casos da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) são emblemáticos. A Rnest, inicialmente orçada em R$ 2,3 bilhões, consumiu impressionantes US$ 20 bilhões para entregar apenas metade da sua capacidade planejada. Já o Comperj, um projeto de US$ 6,5 bilhões que deveria ser a joia da coroa do refino nacional, tornou-se um cemitério de metal que devorou US$ 24 bilhões sem jamais ter sido concluído.
O reflexo desse “investimento que foi pelo ralo” é sentido hoje no bolso do consumidor. Com refinarias operando no limite de sua capacidade — a Petrobras projetou 98,5% de utilização operacional para abril de 2026 —, o Brasil ainda precisa importar entre 25% e 30% do diesel que consome. Não faltam barris de petróleo bruto; falta a capacidade industrial de transformá-los no derivado que move o transporte rodoviário e o agronegócio.
Em momentos de crise internacional, como o atual bloqueio de Ormuz por onde passam 20% do petróleo mundial, essa dependência externa se torna uma armadilha. Com o diesel importado chegando a custar mais de R$ 2,40 acima do preço praticado internamente, a pressão sobre a Petrobras torna-se insustentável. A estatal fica entre a cruz de segurar preços e sangrar seu caixa ou repassar os custos e alimentar a inflação e o aumento dos fretes.
A defasagem do refino brasileiro é a prova de que gigantismo estatal e má gestão de projetos têm preço — e ele é pago diariamente em cada posto de combustível. Ao priorizar projetos que extrapolaram orçamentos em mais de dez vezes em vez de focar na eficiência e na conclusão técnica de unidades de refino de diesel, os governos petistas não apenas emperraram a capacidade industrial do país, mas deixaram a soberania energética brasileira à mercê de qualquer instabilidade no Oriente Médio.
Por: Jorge Andrade



