Arbitragem no futebol brasileiro: qual é a sua conclusão?
Uma pergunta simples, mas com inúmeras respostas — principalmente diante dos erros recorrentes da arbitragem nos campeonatos brasileiros, especialmente nas Séries A e B. Em jogos amplamente transmitidos por emissoras de TV aberta e fechada, o que se vê, muitas vezes, é um cenário preocupante e até vergonhoso.
Mesmo com a implementação do VAR, tecnologia criada para reduzir falhas e dar mais justiça às decisões, o que se observa em campo é o oposto: erros persistentes, decisões inconsistentes e, em alguns casos, equívocos ainda mais evidentes. A ferramenta que deveria corrigir acaba, em certas situações, ampliando a sensação de injustiça. Árbitros que deveriam garantir a lisura das partidas acabam interferindo diretamente nos resultados, prejudicando clubes e, inevitavelmente, levantando suspeitas sobre critérios e decisões.
E isso acontece quando ainda estamos apenas na 11ª rodada de um campeonato com 38. A preocupação com o que ainda está por vir é inevitável.
A rodada mais recente, iniciada no sábado, foi mais um retrato desse problema: pênaltis claros não marcados, faltas ignoradas, critérios inconsistentes na aplicação de cartões e um VAR, em muitos momentos, omisso. Com toda a tecnologia disponível, erros seguem acontecendo — o que torna ainda mais difícil para o torcedor confiar no sistema. Se quem tem acesso a todos os recursos já falha, imagine o árbitro em campo, sob pressão constante.
Outro ponto que chama atenção é a postura de alguns árbitros dentro das quatro linhas. Reclamações, muitas vezes legítimas, são rapidamente punidas com cartões. Em alguns casos, é possível perceber, até por leitura labial exibida nas transmissões, falas autoritárias como “aqui quem manda sou eu”, o que só aumenta a tensão e o distanciamento entre arbitragem e jogadores.
Enquanto isso, jogadores, treinadores e dirigentes acabam sendo penalizados ao questionarem erros evidentes. A crítica vira infração, e a insatisfação, punição. A consequência disso é um ambiente cada vez mais desgastado, onde o erro de quem deveria garantir a justiça é protegido, enquanto quem sofre as consequências é silenciado.
Há ainda um reflexo direto nas arquibancadas. Muito se discute sobre o afastamento do torcedor dos estádios, frequentemente atribuído às transmissões televisivas. No entanto, cresce a percepção de que a falta de credibilidade na arbitragem também desempenha papel fundamental nesse afastamento. O torcedor deixa de acreditar, se frustra e, aos poucos, se distancia.
Para piorar, não é raro ver erros sendo “compensados” com outros erros ao longo da partida, criando um efeito dominó de decisões equivocadas. Ao final, a cena se repete: jogadores revoltados, discussões acaloradas e um aparato policial para proteger justamente quem mais errou.
Diante de tudo isso, a conclusão é inevitável: a arbitragem brasileira vive um momento crítico. Falta padronização, transparência, preparo emocional e, sobretudo, confiança. Sem mudanças estruturais, investimento em qualificação e maior responsabilidade nas decisões, o futebol brasileiro continuará refém de um problema que vai muito além das quatro linhas.
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