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Terminal Rodoviário de Itaparica e o sistema ferry-boat: o que esperar?

É com profunda tristeza que acompanhamos a degradação de dois equipamentos fundamentais para a mobilidade e o desenvolvimento da Ilha de Itaparica: o sistema ferry-boat e o terminal rodoviário de Bom Despacho. O que um dia representou progresso, integração e dinamismo econômico, hoje reflete abandono, descaso e incertezas.

O sistema ferry-boat, que teve seu auge na década de 1970, já foi referência em eficiência e capacidade. À época, operava com uma frota robusta, chegando a contar com até 12 embarcações, além de catamarãs exclusivos para pedestres. Mesmo diante de grandes filas, que por vezes se estendiam até o Largo de Roma, o fluxo era contínuo e funcional. Hoje, a realidade é outra: longas esperas de quatro ou cinco horas se tornaram comuns para atravessar a Baía de Todos-os-Santos, reflexo de um sistema reduzido, sucateado e frequentemente ineficiente.

Atualmente, o sistema conta com cerca de sete embarcações, mas nem todas operam regularmente. Muitas permanecem em manutenção, enquanto as que estão em atividade apresentam sinais evidentes de desgaste, falta de limpeza e ausência de investimentos consistentes.

A situação do terminal rodoviário de Bom Despacho não é diferente. Antes um importante ponto de integração regional, de onde partiam ônibus para diversas localidades do Recôncavo, sul da Bahia e até outros estados como São Paulo e Minas Gerais, hoje se encontra em estado crítico. A estrutura física está comprometida: telhados danificados, infiltrações constantes, piso deteriorado e banheiros sem condições adequadas de uso.

Além disso, o transporte intermunicipal também sofreu um retrocesso significativo. Linhas regulares que atendiam comunidades como Baiacu, Caixa-Prego e Jiribatuba foram desativadas, abrindo espaço para o transporte alternativo. Embora esse serviço tenha surgido como solução emergencial, ele não garante aos usuários os mesmos direitos e segurança de um sistema formal de transporte coletivo, gerando insegurança e insatisfação.

A administração do terminal, atualmente sob responsabilidade da concessionária do sistema ferry-boat, também é alvo de críticas. A transferência das operações para dentro das dependências da concessionária contribuiu para o esvaziamento e abandono da estrutura original da rodoviária, agravando ainda mais sua deterioração.

Diante desse cenário, o sentimento é de indignação e preocupação. Trata-se de equipamentos públicos, pertencentes ao povo baiano, que estão sendo conduzidos a um processo visível de decadência. A população de Vera Cruz, Itaparica e de toda a Bahia sofre diariamente com os impactos dessa realidade.

Há anos se fala na construção da ponte Salvador–Itaparica, mas, até o momento, pouco se concretizou. Enquanto isso, a população continua dependente de um sistema precário e insuficiente.

É urgente uma intervenção efetiva do Governo do Estado da Bahia, assim como uma atuação mais firme dos gestores municipais, vereadores e parlamentares que representam a região. Não se trata apenas de atribuição política, mas de compromisso com a dignidade e o direito de ir e vir da população.

Vale lembrar que embarcações que já integraram o sistema foram abandonadas e até afundadas por falta de manutenção, sendo posteriormente reaproveitadas como atrações de turismo subaquático. Esse precedente levanta uma preocupação legítima: qual será o futuro do terminal rodoviário de Bom Despacho? Estaria ele destinado ao mesmo abandono que marcou outros equipamentos públicos no estado?

Essa é uma pergunta que permanece sem resposta, mas que ecoa com força entre os cidadãos que, diariamente, enfrentam as consequências desse descaso.

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