Presidente do PT, Edinho Silva, joga a toalha sobre ampla aliança; MDB e PSD estão fora do palanque de Lula
A fala de Edinho Silva, presidente nacional do PT, admitindo que MDB e PSD não integrarão uma aliança nacional com Lula em 2026 não é só um ajuste de rota: soa como jogar a toalha no projeto de “palanque amplo” — e isso tem custo eleitoral. Partidos como MDB e PSD não são meros coadjuvantes; são máquinas com capilaridade municipal, lideranças regionais, prefeitos e redes que transformam intenção de voto em voto efetivo. Quando esses partidos ficam fora do arranjo nacional, Lula perde musculatura territorial e entra na campanha mais dependente de parceiros tradicionais, ao mesmo tempo em que precisa apagar incêndios dentro do próprio PT, como a resistência no Rio Grande do Sul ao acordo com o PDT.
O problema é que política nacional se vence no atacado, e capilaridade se constrói com alianças grandes, não só com entendimentos pontuais em estados. A aposta declarada por Edinho — compensar no varejo estadual — ajuda, mas é menos robusta: aliança local não cria “frente” nacional, não organiza narrativa unificada e tende a virar uma colcha de retalhos em que cada estado fala uma língua. Isso fragiliza a campanha porque dilui a sensação de amplitude e facilita que o adversário apareça como quem agrega mais forças.
E o adversário que mais lucra com isso é Flávio Bolsonaro. Um campo que se apresenta como alternativa, com apelo de “mudança”, ganha tração quando o governo não consegue exibir um arco nacional largo — especialmente se a centro-direita se movimenta com pragmatismo e disciplina. Se Lula perde MDB/PSD no plano nacional, abre espaço para que a oposição ocupe o centro pragmático e amplie alianças onde o PT tem mais dificuldade de penetrar: no interior, em redutos conservadores, em regiões onde as máquinas locais definem a eleição.
O quadro piora com a reorganização do tabuleiro: com a saída de Ratinho Junior da disputa, o PSD perde seu principal presidenciável e passa a ter incentivo para agir como partido de negociação máxima, buscando vantagens e liberdade em cada estado, em vez de fechar cedo um compromisso nacional com Lula. Ao mesmo tempo, se Tarcísio de Freitas sinaliza espaço privilegiado ao MDB, inclusive com possibilidade de vice, Lula fica travado: perde a principal moeda de construção de uma aliança nacional com um partido de grande alcance. Não é só “o MDB não vem”; é o fato de que o MDB pode estar sendo atraído para outro polo com promessa de protagonismo.
No fim, a mensagem política é ruim para o lulismo: menos centro no palanque, mais dependência de arranjos locais e mais disputa interna para administrar — enquanto a oposição ganha tempo e terreno para costurar apoios amplos. Aliança estadual ajuda a não perder por WO; aliança nacional ajuda a ganhar e governar. Se MDB e PSD estão fora do palanque nacional de Lula, quem entra em campo com vantagem estratégica é o bolsonarismo, que precisa exatamente disso: um adversário mais isolado no topo e mais fragmentado na base.
Por: Jorge Andrade



