NotíciasPolítica

Política na Bahia: o peso e a medida

As máscaras do carnaval mal foram guardadas e, logo em seguida, surgem outras cenas típicas: o “pula-pula”, a fogueira acesa, o balão solto no ar. Metáforas que, na política, ganham vida própria.

Essas imagens simbólicas representam bem o momento peculiar vivido pela política baiana. Quando grupos em lados opostos tomam decisões estratégicas, os adversários rapidamente recorrem a frases feitas e metáforas para provocar uns aos outros, alimentando uma disputa interminável. O palco principal dessa batalha são as redes sociais, os sites de notícias, os programas de rádio e de televisão. O resultado é uma verdadeira enxurrada de informações, muitas vezes contraditórias, que deixam a população cercada de dúvidas e questionamentos. Alianças antes consideradas improváveis passam a acontecer; adesões tidas como impossíveis surgem diante dos olhos de todos, sem qualquer disfarce.

Na Bahia, o clima é de forte tensão dentro do PT. O partido, que tinha praticamente como certa a divulgação da chamada “chapa puro-sangue” para o mês de março, agora já admite o adiamento para abril. A cada dia surge um novo fato que movimenta os bastidores do PT baiano, e essas indefinições acabam refletindo diretamente na chapa majoritária para a Presidência da República, já que a Bahia é vista como um dos principais redutos eleitorais do atual presidente.

Por outro lado, o União Brasil segue em movimento contrário: fortalece diariamente sua base aliada, agregando prefeitos, vice-prefeitos e vereadores de centenas de municípios do interior do estado. Esse apoio crescente demonstra alinhamento ao projeto do partido e consolida o nome do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que desponta, cada vez mais, como candidato competitivo para disputar e vencer as eleições de 2026 ao Governo da Bahia.

Os partidos de centro, que até então integravam majoritariamente a base do atual governador, já dão sinais claros de insatisfação. O PSD, por exemplo, tem na figura do senador Angelo Coronel um apoio considerado praticamente certo e consolidado a ACM Neto. Já o MDB, que ocupa a vice-governadoria do estado com Geraldo Júnior, demonstra desconforto com a possibilidade de perder esse espaço. Nesse cenário, o partido Avante entra na disputa direta pela vaga, enquanto os caciques partidários travam embates internos numa tentativa de demonstrar força. O curioso é que, enquanto esses grupos brigam entre si, o adversário avança de forma cada vez mais organizada.

Outro fator que pesa nesse contexto são as pesquisas de opinião. Tudo indica que, mais do que disputas partidárias, há um sentimento crescente de que o povo baiano deseja mudança. Resta agora acompanhar o desenrolar da pré-campanha, da campanha eleitoral e, finalmente, o dia das eleições, quando a população poderá escolher, de forma legítima, aqueles que irão representá-la pelos próximos quatro anos.

Visão Cidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *