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Vacina contra herpes-zóster fora do SUS: Uma decisão que preocupa

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra o herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS), após parecer desfavorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Com isso, a vacina não será disponibilizada gratuitamente na rede pública, permanecendo restrita à rede privada de saúde.

A principal justificativa apresentada pelo Ministério da Saúde para a não inclusão do imunizante é o alto custo financeiro. Atualmente, a vacina — incluindo a versão recombinante mais moderna, a Shingrix — está disponível apenas em clínicas particulares, com valores elevados por dose.

O que isso significa para a população

Disponibilidade: A vacina contra o herpes-zóster não é oferecida nos postos de saúde do SUS.

Acesso: Quem deseja se vacinar precisa recorrer à rede privada, onde o custo pode chegar a até R$ 2.000, considerando o esquema completo.

Recomendação médica: A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a vacinação de rotina a partir dos 50 anos de idade, além de pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos.

Tratamento pelo SUS: Embora a vacina não seja fornecida, o SUS disponibiliza tratamento para os casos de herpes-zóster, com antivirais como o aciclovir, especialmente em quadros graves ou em pacientes de risco, além de medicamentos para controle da dor e dos sintomas.

Recentemente, o tema foi discutido em consulta pública, que avaliou a possibilidade de inclusão da vacina para grupos específicos, como idosos acima de 80 anos e pessoas imunocomprometidas. Ainda assim, a decisão final foi pela não incorporação.

Uma decisão que levanta questionamentos

Diante desse cenário, fica a reflexão: o alto custo financeiro justifica a exclusão de uma vacina considerada essencial, especialmente para idosos acima dos 50 anos? O herpes-zóster é uma doença que pode causar dor intensa, complicações neurológicas e perda significativa da qualidade de vida.

A maioria das pessoas que mais precisam dessa vacina são dependentes exclusivamente do SUS, muitas vezes vivendo com um salário mínimo. Para essa parcela da população, o acesso à vacinação na rede privada é praticamente impossível.

Cabe então a pergunta: qual é o custo real de não vacinar? O impacto sobre internações, tratamentos prolongados, sofrimento humano e possíveis perdas de vidas não deveria ser considerado como parte dessa equação?

Prioridades em debate

Em um período pré-eleitoral, observa-se a liberação de recursos elevados para campanhas e fundos eleitorais, enquanto áreas essenciais como saúde, educação e segurança enfrentam cortes e restrições. Isso reforça a sensação de que a prevenção em saúde não tem recebido a atenção necessária.

Fica o questionamento à sociedade e às autoridades:
não seria papel do Ministério da Saúde adotar uma visão mais ampla e social, garantindo acesso a uma vacina tão importante para a população mais vulnerável?

A decisão está tomada, mas o debate permanece. E o cidadão tem o direito — e o dever — de questionar quando entende que o cuidado com a saúde pública não está sendo plenamente cumprido. sistema único de Saúde transcende qualquer que seja a avaliação

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