Eleições 2026 na Bahia seguem marcadas por indefinições no PT e articulações intensas nos bastidores

O cenário político da Bahia para as eleições de 2026 ainda é cercado por muitas incertezas, especialmente no campo governista. O Partido dos Trabalhadores (PT), que comanda o Estado há quase duas décadas, vive um momento de indefinição quanto à formação de uma possível chapa majoritária chamada de “puro-sangue”, o que tem provocado desconfortos internos e alimentado especulações.
A cada semana, novos cenários surgem: nomes entram, nomes saem e as conversas de bastidores ganham força. Um dos episódios mais comentados recentemente envolve a possível volta do ex-governador Rui Costa à disputa pelo governo da Bahia, o que, na prática, colocaria em xeque a candidatura à reeleição do atual governador Jerônimo Rodrigues. A hipótese causou ruídos dentro do partido. Jerônimo tratou de negar publicamente qualquer movimentação nesse sentido, afirmando que não há discussão sobre sua substituição.
Já Rui Costa, durante um evento em que esteve presente na Bahia, demonstrou certa reserva diante das especulações, o que foi interpretado por aliados e observadores como reflexo do clima gerado pelas conversas da semana. Quem aparenta estar em posição mais confortável nesse tabuleiro é o senador Jaques Wagner, que, vez ou outra, também lança declarações que alimentam o debate. Recentemente, Wagner afirmou que não se trata de uma chapa “puro-sangue”, mas de uma composição sustentada em dois eixos: o do ex-governador e o do atual governador.
Outro ponto sensível para o campo governista envolve o PSD. O partido aguarda uma definição clara do PT para decidir seus próximos passos. O senador Ângelo Coronel, que busca a reeleição, tem reafirmado publicamente sua intenção de disputar o Senado. O presidente da legenda, Otto Alencar, já declarou que a sigla espera um posicionamento do PT para avançar nas articulações.
De acordo com informações de bastidores, o desfecho da composição governista pode depender diretamente do posicionamento do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a quem caberia a palavra final sobre a formação da chapa. Até lá, o cenário permanece em aberto.
Oposição avança com nome definido ao governo
No campo da oposição, o cenário se mostra mais organizado. A chapa que vem sendo construída por partidos oposicionistas deve ser encabeçada pelo União Brasil, que já definiu o nome do ex-prefeito de Salvador e atual vice-presidente nacional da legenda, ACM Neto, como pré-candidato ao governo do Estado.
Segundo lideranças políticas, a composição completa da chapa deve ser apresentada após o Carnaval, com lançamento oficial da pré-candidatura previsto para o início de março. Embora existam especulações sobre o nome do vice, o que há de concreto até o momento é a candidatura de ACM Neto.
Outro nome que ganha força é o do ex-ministro João Roma, que aparece bem posicionado em pesquisas para a disputa ao Senado Federal. A aliança liderada pelo União Brasil conta ainda com partidos como o PP — que integra uma federação nacional —, o Republicanos, que reafirma apoio ao grupo, e o PL, cujas principais lideranças defendem uma candidatura competitiva para enfrentar o grupo que governa a Bahia há mais de 20 anos.
Além disso, cresce diariamente o número de pré-candidatos a deputado federal e estadual vinculados a esse campo político. Outros partidos também têm se aproximado da chapa majoritária, colocando-se à disposição para a disputa de 2026. Há, inclusive, a possibilidade de o PSD — ou ao menos setores da legenda — participar direta ou indiretamente dessa composição, a depender dos desdobramentos até o mês de março.
Expectativa e decisão nas mãos do eleitor
Diante de tantas movimentações, o eleitorado baiano acompanha com atenção e expectativa os próximos passos dos grupos políticos. As eleições de 2026 ainda permanecem no campo das hipóteses, mas já é possível perceber que a oposição avança de forma organizada, enquanto o grupo governista busca alinhar suas definições internas.
Até outubro de 2026, muitas peças ainda serão movidas. Caberá ao eleitor baiano, mais uma vez, refletir sobre continuidade ou mudança. O voto segue sendo o principal instrumento de decisão e transformação, e nas mãos do eleitor está a escolha dos representantes que irão conduzir o futuro político da Bahia.
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