Salvador

Carta de agradecimento – Defesa Civil de Salvador

“Hoje eu acordei com o pé direito e resolvi agradecer por cada feito olha onde eu tô, Deus é perfeito eu tive medo, mas eu fui com medo mesmo
um dia eu sonhei com tudo isso aqui se não aconteceu ainda, tá por vir tô na minha vibe, numa boa, sei que vou chegar o que é meu ninguém pode tirar.”

Antes de qualquer palavra sobre obras, números ou conquistas, minha primeira expressão precisa ser de gratidão. Gratidão a Deus, e à proteção constante de Nossa Senhora da Assunção, que me sustentaram em cada decisão, em cada madrugada de chuva intensa, em cada momento de tensão e responsabilidade. Foi dessa fé que veio a força, o discernimento e a serenidade para conduzir uma missão tão sensível quanto proteger vidas.

Peço a Deus que continue me concedendo sabedoria. Sabedoria para reconhecer limites, ouvir pessoas, agir com justiça e nunca perder de vista o valor da vida humana.

Nada do que foi construído ao longo desses anos teria sido possível sem essa condução maior, que me ensinou que liderar, na Defesa Civil, é sobretudo servir.

Ao longo de quase uma década à frente da Defesa Civil de Salvador, vivi um tempo de intensos aprendizados, profundas trocas e transformações reais na forma como a cidade se prepara, responde e cuida das pessoas diante dos riscos. Foram anos em que a prevenção deixou de ser discurso para se tornar prática cotidiana, orientada pela ciência, pela técnica e pelo compromisso com quem vive nas áreas mais vulneráveis da nossa cidade.

Consolidamos uma Defesa Civil cada vez mais técnica, preventiva e integrada. O fortalecimento do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Salvador (Cemadec) foi um marco dessa transformação. Ampliamos de forma significativa a capacidade de leitura do território e do clima, com a implantação de uma robusta rede de sensores, pluviômetros, estações meteorológicas, hidrológicas e geotécnicas, permitindo decisões mais rápidas, precisas e responsáveis.

Avançamos no uso da informação como ferramenta de proteção à vida. O envio de alertas por SMS e o acionamento do Sistema de Alerta e Alarme, com sirenes instaladas em áreas de alto risco, passaram a integrar a rotina da cidade nos períodos de chuva intensa. Cada acionamento representou mais do que um protocolo: representou a mobilização de comunidades inteiras para a autoproteção, o cuidado coletivo e a preservação de vidas. O mapeamento de 185 áreas de risco permitiu qualificar o planejamento, orientar intervenções e subsidiar políticas públicas com base em dados reais. Os mapas de ocupação e o cadastramento de imóveis tornaram-se instrumentos estratégicos para a gestão do risco e a redução de vulnerabilidades.

Investimos também em soluções estruturais. A aplicação de geomantas em encostas, desde 2016, trouxe respostas ágeis e eficientes para áreas críticas, reduzindo riscos e ampliando a segurança de comunidades inteiras. Com o Plano de Ações Estruturais (PAE), a Defesa Civil passou a atuar de forma ainda mais proativa, antecipando riscos e articulando medidas preventivas onde a urgência se impunha.

No Centro Histórico de Salvador, o Projeto Casarões reafirmou nosso compromisso com a vida e com a preservação do patrimônio cultural. As vistorias técnicas em imóveis históricos permitiram identificar riscos, prevenir acidentes e dialogar com os órgãos responsáveis, protegendo moradores, trabalhadores e visitantes de uma área reconhecida como Patrimônio Mundial.

A elaboração do Plano de Contingência do Centro Histórico, único no país, simboliza esse amadurecimento institucional. Um documento construído de forma multidisciplinar, que organiza procedimentos e responsabilidades diante de incêndios ou desabamentos, reafirmando que a prevenção também é planejamento, articulação e responsabilidade compartilhada. Entendemos, desde o início, que nenhuma política de proteção se sustenta sem pessoas.

Por isso, investir em educação, participação comunitária e formação cidadã foi uma escolha estratégica. O fortalecimento dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs) e do Projeto Defesa Civil nas Escolas (PDCE), a criação dos Nupdecs Mirins e do Projeto Mobiliza Defesa Civil, assim como a realização de simulados de evacuação, consolidaram uma cultura de prevenção que ultrapassa os muros da instituição e se enraíza nos territórios.

Cada capacitação, cada encontro, cada simulado foi um exercício de escuta, aprendizado mútuo e construção de confiança. A Defesa Civil passou a ser reconhecida não apenas como órgão de resposta, mas como parceira das comunidades.

Esse trabalho ganhou dimensão nacional e também ultrapassou as fronteiras do país. A honra de presidir o Fórum Nacional dos Secretários de Defesa Civil das Capitais e Grandes Cidades ampliou horizontes, fortaleceu redes e permitiu compartilhar a experiência de Salvador com outras cidades brasileiras.

Essa atuação abriu espaço, também, para o diálogo internacional. Em agendas fora do Brasil, tive a oportunidade de apresentar a experiência da Defesa Civil de Salvador, compartilhar práticas, aprender com outros países e contribuir para o debate global sobre prevenção, gestão de riscos e proteção da vida em contextos urbanos cada vez mais desafiadores. Levar a experiência da Codesal para além do território nacional foi motivo de orgulho e reafirmação de que Salvador construiu um modelo reconhecido, consistente e comprometido com a resiliência urbana.
As palestras, participações em seminários, cursos e espaços de formação foram
oportunidades de aprendizado contínuo e troca de experiências, levando o nome de
Salvador e da sua Defesa Civil para além dos seus limites geográficos, sempre com humildade, responsabilidade e compromisso público.

Registro, de forma especial, minha gratidão ao prefeito Bruno Reis e à vice-prefeita Ana Paula Matos pela confiança depositada ao longo dessa caminhada. A eles, agradeço pela condução responsável, pelo apoio institucional e por compreenderem a importância de fortalecer a Defesa Civil como política pública estratégica.

Agradeço, também, ao ex-prefeito ACM Neto, que, anos atrás, confiou a mim a missão de assumir a Defesa Civil de Salvador, dando início a um ciclo de trabalho, aprendizado e transformação que se consolidou ao longo do tempo. A confiança depositada naquele momento foi fundamental para que esse percurso pudesse ser construído com seriedade, autonomia técnica e compromisso com a vida.

Hoje, essa confiança se renova quando o prefeito Bruno Reis e a vice-prefeita Ana Paula Matos me confiam uma missão ainda mais ampla e desafiadora: a de liderar a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SEDUR), certo de que a experiência acumulada na Defesa Civil seguirá contribuindo para uma cidade mais justa, segura, resiliente e humana.

Nada disso foi obra de um homem só. Foi construção coletiva. Foi fruto do trabalho incansável de servidores comprometidos, de equipes técnicas altamente qualificadas, de lideranças comunitárias, de parceiros institucionais e de gestores que acreditaram que prevenção é o caminho mais justo, mais humano e mais eficiente.

Saio da CODESAL com o coração cheio de gratidão, consciente de que Salvador hoje é uma cidade mais preparada, mais resiliente e mais atenta à proteção da vida. Levo comigo os aprendizados de cada desafio enfrentado, de cada decisão difícil, de cada vida preservada.

Sigo para um novo desafio com a mesma fé, o mesmo compromisso público e a certeza de que servir à cidade é um chamado contínuo. Que Deus continue abençoando a Defesa Civil de Salvador, seus homens e mulheres, e que nunca faltem coragem, sensibilidade e sabedoria para proteger quem mais precisa.

Com gratidão e respeito,
Sosthenes Macêdo
Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano (SEDUDR)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *