“Bahia está entre os estados mais violentos para mulheres”, alerta Ireuda Silva

A vereadora Ireuda Silva (Republicanos), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara de Salvador, manifestou preocupação com os dados divulgados pelo Atlas da Violência 2026, que apontam a Bahia como um dos estados com maiores índices de homicídios de mulheres no Brasil.
Como comenta a vereadora, o levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta que o estado registrou taxa de 5,4 assassinatos por 100 mil mulheres em 2024, ficando entre os piores indicadores do país, ao lado de Pernambuco, atrás apenas de Roraima, Rondônia e Ceará.
“É inadmissível que a Bahia continue ocupando posição tão alarmante em um ranking que representa vidas interrompidas, famílias destruídas e sonhos silenciados. Esses dados escancaram a necessidade de ampliar investimentos em prevenção, acolhimento e combate efetivo à violência contra a mulher”, afirmou a vereadora.
O Atlas da Violência revelou que o Brasil registrou 3.642 homicídios de mulheres em 2024, sendo que 67,5% das vítimas eram mulheres negras. Além disso, mais de um terço dos assassinatos ocorreu dentro das residências das vítimas, evidenciando o avanço e a persistência da violência doméstica.
Ireuda destacou que o cenário exige atenção especial na Bahia, estado que possui maioria da população negra e altos índices de desigualdade social. “Quando observamos que as mulheres negras continuam sendo as maiores vítimas, entendemos que existe um componente estrutural de racismo e desigualdade atravessando essa violência. É preciso garantir proteção, autonomia econômica e acesso à rede de apoio para essas mulheres”, declarou.
Meninas e adolescentes
A vereadora também chamou atenção para o aumento das notificações de violência doméstica não letal e de violência sexual contra meninas e adolescentes, apontados pelo estudo. “Os dados sobre abuso sexual e negligência são extremamente graves e mostram que a violência começa cedo, muitas vezes dentro do próprio ambiente familiar. Precisamos fortalecer as políticas de educação, assistência social e proteção à infância e adolescência”, ressaltou.
Ao comentar os dados, Ireuda lembrou iniciativas defendidas durante seu mandato, como o fortalecimento da Patrulha Guardiã Maria da Penha, o Programa Nova Fase e ações voltadas à autonomia financeira feminina. “Não podemos naturalizar esses números. Cada mulher assassinada representa uma falha coletiva do Estado e da sociedade. O enfrentamento à violência precisa ser permanente, integrado e tratado como prioridade absoluta”, concluiu.
Câmara Municipal de Salvador
(Foto: Visão Cidade)


