Ufba e MPT revelam risco de lesões em trabalhadores das praias de Salvador

Estudo desenvolvido no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/Ufba), em cooperação técnica com o Ministério Público do Trabalho da Bahia, revelou que 18,1% das pessoas que trabalhavam em praias urbanas de Salvador entre 2023 e 2024 relataram diagnóstico de LER/Dort nos 12 meses anteriores à pesquisa.
As mulheres são as mais afetadas, principalmente as que trabalhavam 13 horas ou mais por dia. Outro grupo atingido de forma mais intensa é formado por indivíduos que sofreram acidentes de trabalho no período analisado. Atividades que envolvem carregar peso, longos períodos de trabalho semanal e a ausência de contribuição previdenciária também apareceram como características frequentes entre os participantes.
O artigo com os resultados do estudo foi publicado este mês na revista científica Frontiers in Public Health. O tem traz como primeira autora Mariela Sousa dos Santos, estudante de graduação em Saúde Coletiva do ISC/Ufba. Intitulado “Prevalence of work-related musculoskeletal disorders among beach workers” (em tradução livre, Prevalência de distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho entre trabalhadores de praias), o estudo foi coordenado pelo docente e pesquisador Cleber Cremonese e contou com a participação de estudantes de graduação e pós-graduação do ISC.
O procurador do MPT Ilan Fonseca pretende levar os resultados desse estudo para um debate com o município de Salvador em busca de ações efetivas que possam garantir. a curto e médio prazos, condições mais dignas de trabalho. “A ideia agora é que o MPT e a Ufba abram um caminho de diálogo junto à Prefeitura Municipal de Salvador para a elaboração de políticas públicas específicas para essa categoria de trabalhadores com foco na saúde deles, até mesmo diante do fato de que Salvador é uma capital turística e os turistas que aqui chegam são acolhidos nas praias por essa classe de trabalhadores”, afirmou.
O coordenador do projeto, professor Cleber Cremonese, destaca a importância da cooperação técnica com instituições públicas, como o Ministério Público do Trabalho (MPT) na Bahia bem como da oferta de bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado para estudantes. Segundo o pesquisador, essas iniciativas viabilizam a realização de ciência rigorosa e independente, além de contribuírem para a formação de futuros pesquisadores.
De acordo com o estudo, as LER/Dort representam um importante problema de saúde pública, uma vez que podem comprometer a capacidade funcional, a renda e a qualidade de vida dos trabalhadores. No contexto dos trabalhadores de praias, esses agravos se somam a condições de trabalho marcadas pela informalidade, exposição ambiental e ausência de políticas de proteção adequadas. A pesquisa teve como objetivo medir a prevalência de LER/Dort e identificar fatores demográficos, econômicos e ocupacionais associados a esses agravos entre trabalhadores de praias – um grupo majoritariamente inserido na informalidade, com condições precárias de trabalho e pouca proteção social.
Foram entrevistados 579 trabalhadores, entre novembro de 2023 e março de 2024, em cinco faixas de areia de praias urbanas de Salvador. A coleta de dados foi realizada presencialmente, por estudantes e docentes treinados, por meio de questionários estruturados. O instrumento incluiu questões destinadas a estimar a prevalência de LER/Dort e a avaliar possíveis associações com variáveis individuais e ocupacionais. De acordo com o estudo, as LER/Dort representam um grave problema de saúde pública, que pode comprometer a capacidade funcional, a renda e a qualidade de vida dos trabalhadores. No contexto dos trabalhadores de praias, esses agravos se somam a condições de trabalho marcadas pela informalidade, exposição ambiental e ausência de políticas de proteção adequadas.
O artigo pode ser acessado pelo link: https://www.frontiersin.org/journals/public-health/articles/10.3389/fpubh.2025.1701654/full
ASCOM MPT-BA
Foto: Bruno Concha-Secom-Pms


