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Mobilidade urbana: Metrô como realidade, VLT em consolidação e a ponte como um sonho aguardado

O povo da Bahia já vivenciou grandes questionamentos quando o assunto é mobilidade urbana, especialmente em relação a duas obras emblemáticas: o metrô de Salvador e a implantação do VLT, ambos executados pelo Governo do Estado da Bahia com financiamento do Governo Federal, por meio do PAC.

O metrô, inicialmente cercado de dúvidas sobre sua viabilidade, levou mais de uma década entre projetos, ajustes e execução. No entanto, saiu do papel e hoje é uma realidade concreta. Atualmente, o sistema já permite o deslocamento até o aeroporto, a Estação da Lapa e, em breve, chegará à nova Rodoviária, ampliando ainda mais sua importância para a mobilidade urbana. Há, inclusive, a perspectiva de expansão até o bairro do Campo Grande, no coração da cidade. O metrô consolidou-se como um modal moderno, rápido e essencial para Salvador.

O VLT, por sua vez, é outra obra de grande relevância, especialmente para o Subúrbio Ferroviário. Ainda em andamento, tem previsão de entrega para 2027. Sua implantação causou transtornos à população local, principalmente com a retirada dos antigos trens. No projeto inicial, falava-se em linhas que chegariam ao Terminal da França e à estação do metrô no Acesso Norte. No entanto, essas extensões, ao que tudo indica, não devem se concretizar neste momento, apesar de já existirem estudos e medições realizadas.

O trecho atualmente em construção vai de Paripe até a Calçada, com ligação prevista à nova Rodoviária. Há ainda a possibilidade de expansão até o município de Simões Filho, alcançando o conjunto habitacional da Ilha de São João, o que representaria um grande avanço. O VLT, já apresentado em viagens-testes pelo Governo do Estado, como no percurso da Calçada ao Lobato, demonstra ser um modal mais rápido, moderno e eficiente. Segundo o próprio governo, trata-se de uma peça fundamental para a mobilidade do soteropolitano.

Apesar dos avanços nesses modais, o transporte mais tradicional de Salvador continua sendo o ônibus. De vital importância, ele conecta bairros, corta a cidade de ponta a ponta e atende diariamente milhares de usuários. Nenhuma política de mobilidade pode ignorar ou enfraquecer esse sistema. Os tradicionais “amarelinhos” seguem sendo um pilar essencial do transporte público da capital, devendo caminhar de forma integrada com o metrô e o VLT.

Outro modal que merece destaque é o BRT, implantado pela Prefeitura de Salvador. Inicialmente desacreditado por muitos, hoje é uma realidade consolidada, ligando a Lapa à Rodoviária, passando pelo Itaigara e avançando em direção à orla atlântica. O BRT tem se mostrado fundamental para quem depende desse eixo de deslocamento, reforçando que a integração entre ônibus, metrô, VLT e BRT trará mais conforto, agilidade e qualidade de vida à população.

Por fim, chega-se ao tema que há mais de 20 anos permanece no campo dos estudos, projeções e promessas: a Ponte Salvador–Itaparica, também conhecida como Ponte Leste-Oeste. Ao longo do tempo, diversos pontos de partida foram cogitados em Salvador — Simões Filho, Subúrbio Ferroviário, São Tomé de Paripe e Feira de São Joaquim — e diferentes pontos de chegada na Ilha de Itaparica, como Gameleira e Mar Grande. No entanto, apesar de tantas análises, a obra ainda não saiu do papel.

Governadores anteriores prometeram o início da construção, e o atual gestor estadual também reafirmou o compromisso, garantindo que as obras terão início no próximo ano. Caso se concretize, será um enorme ganho para a mobilidade do povo baiano. A ponte não beneficiará apenas Salvador e a Ilha de Itaparica, mas todo o Recôncavo Baiano e o Baixo Sul, criando uma ligação estratégica com a BA-001 e as BRs 101 e 242.

Trata-se de uma obra de proporções gigantescas, capaz de transformar a logística, a economia e o desenvolvimento regional. Talvez por isso tanta demora, tantos estudos e avaliações. Ainda assim, a população baiana segue aguardando com expectativa. Sabe-se que sua construção exigirá grandes intervenções viárias, tanto em Salvador quanto na Ilha de Itaparica, independentemente do ponto escolhido para a chegada da ponte.

Como dizem os itaparicanos: que venha a ponte — mas que venha para ficar, para transformar e para trazer o melhor para toda a Ilha de Itaparica e para a Bahia como um todo.

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