Ilha de Itaparica: viajar de ferry ou lancha é uma verdadeira odisseia

Viajar para a Ilha de Itaparica, seja pelo sistema ferry-boat ou pelas lanchas, tornou-se um verdadeiro teste de paciência, perseverança e, sobretudo, de resignação. Não ter pressa, saber esperar e manter a calma parecem ser pré-requisitos obrigatórios para quem precisa utilizar esse sistema caótico e falido que insiste em operar sem respeito ao usuário.
Famílias chegam a passar horas intermináveis nas filas aguardando o embarque em uma das poucas embarcações disponíveis no sistema ferry-boat. O tempo de espera pode ultrapassar oito horas, contrariando qualquer informação oficial divulgada pela empresa operadora. O sofrimento é coletivo e evidente. É fácil calcular o tempo perdido em uma travessia que deveria ser simples, mas que se transforma em um calvário por falta de organização, escassez de embarcações e total abandono do sistema. Nada foi feito, até agora, para melhorar as condições oferecidas aos usuários, que pagam caro por uma passagem e recebem, em troca, desconforto e indignação.
Os terminais e as embarcações refletem o descaso: falta de ar-condicionado, sanitários em péssimas condições, lanchonetes sem variedade e sem qualidade, além de um ambiente cansativo e desumano para quem já enfrenta longas horas de espera. É uma situação inconcebível.
Quando os usuários procuram informações junto aos prepostos da empresa, muitas vezes são tratados de forma inadequada, recebendo respostas evasivas ou simplesmente nenhuma resposta. A desorganização é tamanha que sequer se vê a presença efetiva da empresa reguladora, responsável pela fiscalização do serviço. Seus representantes parecem inexistentes ou escondidos, enquanto o usuário, ao tentar registrar uma reclamação, é orientado apenas a procurar a ouvidoria — um caminho que, na prática, não resulta em solução alguma.
Esse descaso não é exclusividade do ferry-boat. No sistema de travessia Salvador–Mar Grande, operado por lanchas, a realidade é semelhante. Os usuários ficam “a ver navios”, sem respostas da empresa que administra o terminal, das operadoras das lanchas ou da entidade fiscalizadora. Falta informação, falta respeito e, sobretudo, falta responsabilidade.
Tudo indica que ambos os sistemas de transporte estão abandonados pelo Governo do Estado da Bahia, diante dos problemas que se repetem diariamente. Diante disso, fica a palavra — e a cobrança — para a empresa e para o órgão que têm o dever e a obrigação de fiscalizar e garantir um serviço digno à população.
Vale ressaltar que o sistema ferry-boat já contou, na década de 1990, com 12 embarcações em pleno funcionamento, em um período em que o número de veículos e de passageiros era significativamente menor. Hoje, no entanto, a realidade é oposta: a população depende exclusivamente de apenas sete embarcações, muitas delas antigas, sucateadas e constantemente fora de operação por problemas mecânicos.
Essa redução drástica da frota, aliada ao aumento da demanda ao longo dos anos, ajuda a explicar o colapso do sistema e o sofrimento diário enfrentado pelos usuários.
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