Ireuda Silva avalia aumento de orçamento para políticas voltadas às mulheres: “Positivo, mas ainda insuficiente diante da realidade”

O orçamento inicial destinado a políticas públicas para mulheres em 2026 terá um aumento de 14,8%, chegando a R$ 168,7 milhões, segundo levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). A notícia é vista de forma positiva pela vereadora de Salvador e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Ireuda Silva (Republicanos), mas, segundo ela, o valor ainda está distante das reais necessidades da população feminina no país.
Esse orçamento, previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), contempla programas estratégicos do Ministério das Mulheres, como o canal de denúncias Ligue 180, a Casa da Mulher Brasileira, ações de combate à violência de gênero, iniciativas de autonomia econômica e a ampliação da presença feminina em espaços de poder. Apesar disso, em anos anteriores, a execução do orçamento enfrentou entraves e cortes, o que gera dúvidas sobre a efetividade da aplicação dos recursos.
“É claro que qualquer incremento é bem-vindo, principalmente porque falamos de recursos que sustentam serviços essenciais como o Ligue 180, a Casa da Mulher Brasileira e iniciativas de autonomia econômica. Mas não podemos nos enganar: diante dos números alarmantes de feminicídio, estupro e outras violências, ainda estamos muito aquém do que o Brasil precisa investir para proteger e empoderar suas mulheres”, afirma Ireuda.
A vereadora lembra que somente em 2024 foram registrados 1.450 feminicídios no país, além de uma média de 196 estupros por dia, o que demonstra que a violência de gênero permanece em níveis críticos. “Enquanto convivermos com dados tão trágicos, não será possível falar em orçamento suficiente. Precisamos de mais recursos e, sobretudo, de eficiência na aplicação deles para transformar políticas no papel em serviços de verdade para as mulheres nos municípios”, pontua.
Para Ireuda, o desafio está em conciliar o aumento de recursos com a garantia de execução efetiva das políticas públicas. “O dinheiro precisa chegar na ponta, nas comunidades, onde as mulheres estão desamparadas. Esse é o grande teste do governo e do Congresso. Precisamos ampliar o investimento, mas também garantir que ele não fique travado em burocracias ou limitado por disputas políticas”, completa.
Ascom


