A educação dos jovens, por onde anda?

A educação é, sem dúvida, um dos temas mais polêmicos e urgentes do Brasil. E quando falamos em educação, não nos referimos apenas à escolarização formal — da alfabetização à universidade e pós-graduações — mas também à formação familiar, ao caráter e aos valores transmitidos dentro de casa.
Há pelo menos 50 anos ouvimos a mesma frase ecoar: “Vamos educar os nossos jovens.” Ela foi repetida há quatro décadas, lembrada novamente há trinta anos, reforçada há vinte, retomada há dez e, há cinco anos, voltou ao debate. Hoje, continua sendo pronunciada nos quatro cantos do país. Não como uma frase de efeito, mas como uma necessidade urgente.
Educar os jovens não é apenas oferecer-lhes acesso ao conhecimento didático, mas também orientá-los para que desenvolvam compromisso, atitude e capacidade de exercer cidadania. A família desempenha papel essencial nesse processo, pois a escola sozinha não dá conta dessa missão.
O impacto da tecnologia e a perda de essência
Vivemos em um tempo em que a tecnologia avança em velocidade impressionante, transformando o mundo de forma extraordinária. Mas, ao mesmo tempo, algumas essências estão se perdendo. Hoje, muitas famílias já não se reúnem para conversar ou discutir assuntos importantes; preferem lives, grupos virtuais ou salas de bate-papo.
O resultado é uma juventude que brinca cada vez menos. Jogos simples como pular amarelinha, empinar pipa, brincar de pega-pega ou de boneca foram substituídos por celulares, tablets e outras ferramentas digitais. Nas escolas, a internet é vista como recurso fundamental — e de fato é —, mas o calor humano, a convivência e o aprendizado de valores parecem estar ficando em segundo plano.
O abandono da educação cívica
Outro ponto preocupante é a extinção de matérias como a tradicional Educação Moral e Cívica (EMC), que ensinava não apenas conteúdos, mas também valores. Os alunos aprendiam o Hino Nacional, o Hino da Independência, o Hino do Soldado e os hinos estaduais. Hoje, muitas crianças sequer sabem cantar o hino do Brasil — algumas sequer sabem o que ele é.
Até mesmo os chamados “CDFs”, aqueles estudantes dedicados e apaixonados pelo estudo, estão desaparecendo. Os poucos que ainda se destacam nos estudos e preservam a convivência familiar são vistos como diferentes pela sociedade, justamente porque carregam um nível de dedicação e inteligência acima da média.
Reflexão necessária
A educação, em sua essência, precisa ser resgatada. Não basta investir apenas em tecnologia ou na modernização das escolas. É preciso resgatar o vínculo familiar, valorizar a convivência social e reconhecer que formar jovens conscientes, críticos e responsáveis é o maior investimento que o Brasil pode fazer para o seu futuro.
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