Sílvio Humberto cobra inclusão de antigos barraqueiros em Jaguaribe

O vereador Sílvio Humberto (PSB) criticou a concessão da orla da praia de Jaguaribe à iniciativa privada, no contexto de um programa municipal mais amplo de privatização de serviços públicos, que inclui a administração de cemitérios e serviços funerários. O parlamentar questionou os reais beneficiários dessa política e alertou para suas consequências sociais em uma cidade com elevados índices de pobreza, como Salvador.
“Chama a atenção o fato de que este programa abrange até mesmo os serviços funerários e a administração dos cemitérios. O que restará para a gestão pública se até mesmo os locais de descanso de nossos entes queridos forem privatizados?”, questionou o vereador.
Ele destacou que a precarização dos serviços públicos, muitas vezes, pavimenta o caminho para que a iniciativa privada se apresente como única solução, o que, segundo ele, levanta dúvidas sobre os custos sociais e financeiros da privatização de setores sensíveis, como os cemitérios e os serviços funerários.
Outro ponto de preocupação para o vereador foi a retirada das barracas da orla. Sílvio Humberto lamentou a forma como a desocupação ocorreu, desestruturando a vida de inúmeras famílias que perderam sua fonte de renda.
O parlamentar criticou o modelo adotado por não priorizar as populações mais vulneráveis e manifestou receio de que a mesma lógica seja aplicada na segunda etapa do programa, que inclui praças de convivência, o BRT e o projeto Mané Dendê.
Segundo Sílvio Humberto, o novo modelo de privatização não representa uma mudança efetiva na realidade da cidade. “O discurso de que haverá uma melhora na qualidade do serviço é válido, mas para quem? Ele parece criar condições para que outros venham explorar, enquanto a nossa população, aqueles que construíram uma cultura em torno das barracas, os antigos proprietários de Piatã e Jaguaribe, não terão acesso a essa nova etapa, não serão proprietários. Sem um diálogo mais estruturante, não resolveremos a raiz da pobreza”, ponderou.
Capital Afro
No mesmo contexto, Sílvio Humberto também abordou o discurso de Salvador como “Capital Afro”. Ele ressaltou a oportunidade perdida de transformar essa narrativa em ações concretas de valorização dos empreendedores negros locais.
“Temos a oportunidade de transformar esse discurso em ações concretas para valorizar nossos empreendedores negros, mas o que vemos é um modelo que não prevê nenhuma ação afirmativa”, declarou.
Câmara Municipal de Salvador


