A Ilha de Itaparica e seus dois municípios: Vera Cruz e Itaparica

A Ilha de Itaparica, situada na Baía de Todos os Santos, guarda uma das histórias mais ricas da Bahia, marcada pela presença indígena, pela colonização portuguesa e holandesa, e pela participação ativa nas lutas pela independência do Brasil.
Ocupação Inicial e Colonização
Povos Indígenas: Antes da chegada dos europeus, a ilha era habitada pelos Tupinambás, que viviam da pesca, agricultura e coleta.
Colonização Portuguesa: Em 1560, os jesuítas fundaram um núcleo em Baiacu (atual Vila de Vera Cruz), onde começaram o cultivo de cana-de-açúcar e trigo, além da criação de gado.
Invasões e Conflitos: A prosperidade da ilha atraiu a atenção de corsários e invasores. Entre 1600 e 1647, os holandeses ocuparam a região e construíram o Forte de São Lourenço.
Importância Estratégica: Itaparica tornou-se ponto-chave na Baía de Todos os Santos, com seus estaleiros, engenhos de açúcar e posição geográfica estratégica para embarcações.
Papel na Independência do Brasil
Participação Ativa: A ilha teve papel decisivo na Guerra da Independência da Bahia, com combates entre tropas brasileiras e portuguesas.
Maria Felipa de Oliveira: Figura de destaque, a marisqueira liderou ações de resistência contra os portugueses, tornando-se símbolo da luta feminina pela independência.
Batalha de Itaparica: Travada em janeiro de 1823, foi um dos marcos da vitória brasileira na Bahia.
Crescimento, Patrimônio e Reconhecimento
Emancipação de Itaparica: O município emancipou-se de Salvador em 1833 e foi elevado à categoria de cidade em 1890.
Patrimônio Histórico: A cidade conserva importantes construções coloniais, como a Igreja de São Lourenço e a Matriz do Santíssimo Sacramento, reconhecidas pelo IPHAN.
Estância Hidromineral: É a única do tipo à beira-mar nas Américas, com fontes de água mineral reconhecidas por suas propriedades terapêuticas.
Cultura Viva: Terra natal do escritor João Ubaldo Ribeiro, Itaparica preserva suas raízes através da literatura, festas populares e tradições seculares.
A Criação de Vera Cruz: O Filho Legítimo de Itaparica
Em 1962, a Ilha de Itaparica foi oficialmente dividida em dois municípios: Itaparica e Vera Cruz. A criação de Vera Cruz foi motivada principalmente pelas dificuldades de deslocamento enfrentadas pelos moradores das regiões mais afastadas da sede original.
Bairros como Baiacu, Campinas, Ponta Grossa, Matarandiba e Jiribatuba (na contracosta), além de Cacha Pregos, Barra Grande e o atual Cone Sul, passaram a compor o novo município, que ficou com cerca de 87% do território da ilha.
Neste mês, Vera Cruz celebra 63 anos de emancipação política, consolidando sua autonomia administrativa e reforçando sua identidade como parte essencial da história e do desenvolvimento da Ilha de Itaparica.
Conheça Vera Cruz: Tradição, Cultura e Belezas Naturais
Vera Cruz é um município dinâmico, marcado por belas paisagens naturais, forte identidade cultural e proximidade com a capital baiana.
Localização e Estrutura
Ocupa a maior parte da Ilha de Itaparica (cerca de 87%).
Está a aproximadamente 5,5 km de Salvador, com acesso facilitado por meio do terminal marítimo de Mar Grande, sede do município.
Segundo o IBGE, conta com uma população estimada de 43 mil habitantes.
História e Desenvolvimento
A região já era habitada e explorada durante o período colonial.
Enfrentou invasões e participou de lutas históricas, como a resistência aos holandeses.
Tornou-se município independente de Itaparica em 1962.
Turismo e Cultura
Destino turístico bastante procurado, com praias como Mar Grande, Cacha Pregos, Barra do Gil e Berlinque.
Realiza eventos tradicionais como os festejos de São João, São Pedro e festejos religiosos nas comunidades.
Sua localização privilegiada na Baía de Todos os Santos atrai turistas durante todo o ano, seja para lazer ou descanso.
Conclusão
A Ilha de Itaparica é um território único, que abriga dois municípios com trajetórias distintas, mas entrelaçadas pela história e cultura. Itaparica, com seu passado colonial preservado, e Vera Cruz, com seu dinamismo e extensão territorial, compartilham a beleza natural e a força de um povo que resiste, transforma e celebra sua identidade.
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