Ponte Salvador-Itaparica: você ainda acredita?

Diante de tantos contextos, análises, estudos, intenções – boas e ruins – fica a pergunta: o que realmente esperar da tão prometida construção da ponte Salvador-Itaparica?
Enquanto se investe tempo e dinheiro em discursos, promessas e audiências públicas, diversas cidades da Ilha de Itaparica continuam enfrentando problemas básicos: falta de água, energia elétrica de baixa qualidade, ausência de saneamento, precariedade na saúde e na educação. Em muitos lugares, a única presença da saúde pública é a ambulância. As prefeituras, com poucos recursos, lutam para oferecer serviços mínimos. E, ainda assim, o assunto que ganha holofotes e discursos pomposos é a ponte.
Já se passaram 19 anos de promessas, de reuniões, seminários, estudos e discussões. Quase duas décadas de expectativas que até agora não saíram do papel. É preciso, então, refletir: a quem realmente interessa essa obra? Quem será, de fato, beneficiado com a construção da ponte Salvador-Itaparica?
Recentemente, o Governo do Estado anunciou a conclusão dos estudos para a construção. Após 19 anos, finalmente se chegou a um projeto. No entanto, um novo entrave surgiu: foram encontradas rochas instáveis no subsolo da Baía de Todos-os-Santos. Isso muda tudo. O que antes era viável tecnicamente agora exige um novo planejamento, mais investimentos e, claro, mais tempo.
A previsão otimista é que a obra dure cinco anos. Ou seja, se começar em 2026, só será concluída no final de 2031 ou início de 2032. Mas será mesmo? Esse mesmo governo, que agora fala em início de obras, dificilmente será o mesmo a concluí-las. Caso perca as próximas eleições, o projeto poderá ser engavetado, alterado ou até abandonado por uma nova gestão.
Além disso, existe uma cláusula no contrato de concessão que impõe um número mínimo diário de veículos cruzando a ponte para garantir o retorno financeiro do consórcio construtor. Se essa meta não for atingida, o prejuízo recairá sobre o Governo do Estado – ou seja, sobre a população. Há ainda rumores, inclusive dentro da própria base do governo, de que os investidores chineses estão mais interessados na construção de ferrovias, que prometem retorno mais rápido, do que na ponte, cujo lucro só viria a longo prazo.
Enquanto isso, o povo clama por melhorias urgentes: saúde, educação, transporte, infraestrutura básica. A audiência pública mais recente, realizada na sede do Ministério Público Federal da Bahia, reuniu representantes de diversos setores da sociedade. Porém, a ausência total de representantes do Executivo e Legislativo municipal de Itaparica chamou atenção. Será que estão apenas dizendo “amém” à construção da ponte, ignorando o sofrimento do seu povo?
É preciso que a população de Itaparica e Vera Cruz desperte. Que não aceite mais ser telespectadora de promessas vazias. Que cobre, que exija, que participe ativamente das decisões que impactam suas vidas.
Voltemos à questão central: se a construção da ponte começar em 2026, ela será finalizada apenas em 2031 ou 2032. Você acredita que isso realmente acontecerá? Talvez nem quem idealizou esse projeto acredite mais.
Visão Cidade


