Cresce Alerta para a Febre Oropouche no Brasil: Bahia e Espírito Santo em Destaque

Na manhã desta segunda-feira (28), especialistas em epidemiologia se reuniram na Biblioteca de Ciências Biomédicas da Fiocruz Bahia para abertura do I Curso de Identificação e Vigilância de Maruins Vetores na Bahia. O evento teve um ciclo de palestras sobre a febre Oropouche, doença viral emergente que vem preocupando autoridades de saúde em todo o Brasil.
O vírus Oropouche, inicialmente detectado na região amazônica em 1975, parecia confinado ao Norte do país. Contudo, 70 anos depois, a realidade mudou drasticamente. Em 2025, a Bahia já registra 9 casos confirmados de febre Oropouche, sendo 7 no município de Valença e 2 em Laje. Esses primeiros casos foram identificados a partir de amostras retroativas, com detecções preliminares realizadas em março de 2024. A Bahia também notificou os primeiros óbitos relacionados à doença no mundo: duas mulheres jovens, de 24 e 21 anos, residentes nos municípios de Valença e Camamu, respectivamente. Ambas evoluíram rapidamente para formas graves da doença.
O avanço da febre Oropouche no estado preocupa especialmente porque está atingindo regiões onde o bioma da Mata Atlântica favorece a proliferação dos vetores, como os maruins. Cidades do extremo sul e sudoeste da Bahia estão no radar das autoridades de saúde, em especial Valença, Laje e Camamu. De acordo com Sandra Maria de Oliveira, coordenadora de Doenças Transmitidas por Vetores da DIVEP (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) Suvisa/Sesab, “locais com alta presença de matéria orgânica se tornam ambientes ideais para a reprodução dos vetores. Estamos construindo um perfil epidemiológico a partir dos dados recolhidos para entender melhor o avanço da doença e planejar as ações de resposta”, afirmou a especialista.
O cenário na Bahia reflete uma tendência nacional preocupante: o vírus Oropouche já se espalhou para 22 estados, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O Espírito Santo tornou-se o novo epicentro da doença, com mais de 5.800 casos confirmados até abril de 2025, seguido do Rio de Janeiro com mais de 1.400 casos confirmados.
Segundo especialistas, o Brasil, assim como outros países latino-americanos, não está adequadamente preparado para lidar com a expansão de arboviroses como a febre Oropouche, especialmente em áreas ecologicamente sensíveis como a Amazônia e a Patagônia.
O curso integra uma iniciativa conjunta da United World Antiviral Research Network (UWARN), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reforçando a importância da capacitação técnica e da vigilância epidemiológica no enfrentamento de novas ameaças virais. A programação, contou com a presença de pesquisadores como Sandra Maria, coordenadora da Vigilância Epidemiológica da (SESAB), Alina Lins (UNEB), Isadora Siqueira (Fiocruz Bahia), Artur Dias Lima (UNEB) e Felipe Arley Costa Pessoa (Fiocruz Amazônia), que abordaram a história, epidemiologia, aspectos clínicos e neurológicos da doença, além do papel dos vetores na sua transmissão.
Fonte: Ascom da Suvisa
Foto: Conselho Federal de Farmácia


