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Incerteza fiscal ainda impede o corte nos juros

O Banco Central manteve a taxa de juros na primeira reunião sob o comando de Ilan Goldfajn. Dois pontos chamaram atenção no comunicado, que foi mais longo que os anteriores.
O primeiro é que a incerteza fiscal ainda é um impeditivo para a queda dos juros. O BC continua sozinho no combate a inflação, já que o país terá um déficit primário de R$ 170 bilhões este ano, e o governo Temer encaminhou o Orçamento de 2017 com estimativa de um novo rombo, de R$ 140 bi. Enquanto não houver garantias, por parte do BC, de que o governo irá aprovar projetos que reequilibrem as contas públicas, o corte de juros ficará na berlinda.
Outro ponto importante é que no cenário de referência do Banco Central, ou seja, quando os juros e o dólar ficam mantidos até o final do ano que vem, a inflação já está em torno de 4,5%, no centro da meta. O problema é que no cenário de mercado, que contempla os cortes de juros que estão no Boletim Focus, a inflação está em 5,3%, ainda distante do centro.
Para o economista Alexandre de Ázara, da Mauá Investimentos, o BC pode começar a cortar os juros em outubro, daqui a duas reuniões. Já a consultoria Rosenberg Associados avalia que isso só deve acontecer em janeiro do ano que vem, a menos que o governo Temer consiga aprovar projetos relevantes no Congresso.
A última vez que a inflação esteve no centro da meta foi em julho de 2010. A nova diretoria do BC parece querer assegurar que isso vai acontecer novamente em 2017, antes de iniciar um ciclo de cortes. Do contrário, todo o esforço de elevar os juros pode ser em vão.(Blog da Miriam Leitão)

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